Crônicas e Críticas - Arquivos da ditadura
 
 
 
ARQUIVOS DA DITADURA
 PRIMEIRO DE ABRIL

 

 
A eleição de Jânio Quadros e sua renúncia trouxeram ao Brasil, sérias e graves conseqüências, cujos desdobramentos, além de culminarem com o golpe militar de 1964, permitiram que a democracia perdesse terreno com a ditadura, alienando completamente a nossa juventude para as preocupações naturais no campo político.
 
A deposição do Presidente João Goulart trouxe ao movimento sindical e de todas as organizações não governamentais, voltadas à consolidação das reformas de base, graves conseqüências com a prisão em massa de seus líderes.
 
Fazem 34 anos de momentos dramáticos e tormentosos dias.  Convivemos e sofremos na própria pele e, ainda hoje, eles estão bem vivos em nossas lembranças. Contribuindo com a nossa memória, temos a oportunidade de pesquisar nas cópias dos processos instaurados pelas Auditorias Militares durante o regime da  ditadura. Processos estes  levantados e indexados pelo Projeto Brasil Nunca Mais e colocados à disposição de pesquisadores no Arquivo Edgard Leuenroth - Centro de Pesquisa e Documentação Social da UNICAMP.
 
Estamos trabalhando no resgate histórico sobre a verdade em relação à Santa Catarina e temos curiosidades importantes que, pacientemente, estamos recolhendo nas mais de  dez mil páginas dos processos oriundos de nosso Estado.
 
Os processos trazem um retrato de corpo inteiro fidelíssimo da ditadura e de seus feitores e algozes, colocando a nu a fragilidade e ingenuidade dos chamados comunistas.
 
Apesar de terem ocorrido prisões em todo o Estado, em verdade, o serviço de inteligência dos conspiradores, assessorado pelos americanos, tinham como principal base espião, um Agente do DOPS do Rio Grande do Sul, transvestido de químico e que se instalou em Blumenau.
 
O Governador Celso Ramos, pela sua seriedade, não gozava da confiança dos militares, nem tampouco do serviço de inteligência americano, que conspiravam secretamente contra o Presidente da República, e seria, pois, mais seguro não confiar no DOPS de Santa Catarina.
 
Foi destacado então, para Blumenau um espião, nascido na Áustria, e com familiares no Brasil, de nome HORST KRISCHNEGG,  que seguindo a orientação de seus superiores, através de uma apresentação conseguida em Curitiba, infiltrou-se no movimento de esquerda, no Partido Comunista Brasileiro, que lutava pela sua legalização.
 
O espião Horst tinha o código secreto de R-11 como Agente do DOPS do Rio Grande do Sul, chegou a ser, durante quase 3 anos, Secretário de Propaganda do Partido Comunista em Blumenau, de onde tomava dinheiro e ao mesmo tempo era pago pelo governo gaúcho. 
 
Foi um espião eficiente, pois enganou flagrantemente a todos, comunistas e socialistas de Blumenau, viajando e participando com os principais líderes para todas as reuniões em Florianópolis. Todos os passos dos comunistas eram minuciosa, ampla e detalhadamente relatados ao DOPS de Porto Alegre, onde se concentravam as atividades de espionagem e conspiração que se armava contra o Presidente João Goulart. 
 
 
Carlos Fernando Priess - Advogado em Itajaí - 
Foi  preso político durante a ditadura militar em Santa Catarina
 
 
by neusa - julho/2002
 
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