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A
eleição de Jânio Quadros e sua renúncia
trouxeram ao Brasil, sérias e graves
conseqüências, cujos desdobramentos,
além de culminarem com o golpe militar
de 1964, permitiram que a democracia
perdesse terreno com a ditadura,
alienando completamente a nossa
juventude para as preocupações
naturais no campo político.
A
deposição do Presidente João Goulart
trouxe ao movimento sindical e de todas
as organizações não governamentais,
voltadas à consolidação das reformas
de base, graves conseqüências com a
prisão em massa de seus líderes.
Fazem
34 anos de momentos dramáticos e
tormentosos dias.
Convivemos e sofremos na própria
pele e, ainda hoje, eles estão bem
vivos em nossas lembranças.
Contribuindo com a nossa memória, temos
a oportunidade de pesquisar nas cópias
dos processos instaurados pelas
Auditorias Militares durante o regime da
ditadura. Processos estes
levantados e indexados pelo
Projeto Brasil Nunca Mais e colocados à
disposição de pesquisadores no Arquivo
Edgard Leuenroth - Centro de Pesquisa e
Documentação Social da UNICAMP.
Estamos
trabalhando no resgate histórico sobre
a verdade em relação à Santa Catarina
e temos curiosidades importantes que,
pacientemente, estamos recolhendo nas
mais de
dez mil páginas dos processos
oriundos de nosso Estado.
Os
processos trazem um retrato de corpo
inteiro fidelíssimo da ditadura e de
seus feitores e algozes, colocando a nu
a fragilidade e ingenuidade dos chamados
comunistas.
Apesar
de terem ocorrido prisões em todo o
Estado, em verdade, o serviço de
inteligência dos conspiradores,
assessorado pelos americanos, tinham
como principal base espião, um Agente
do DOPS do Rio Grande do Sul,
transvestido de químico e que se
instalou em Blumenau.
O
Governador Celso Ramos, pela sua
seriedade, não gozava da confiança dos
militares, nem tampouco do serviço de
inteligência americano, que conspiravam
secretamente contra o Presidente da República,
e seria, pois, mais seguro não confiar
no DOPS de Santa Catarina.
Foi
destacado então, para Blumenau um espião,
nascido na Áustria, e com familiares no
Brasil, de nome HORST KRISCHNEGG,
que seguindo a orientação de
seus superiores, através de uma
apresentação conseguida em Curitiba,
infiltrou-se no movimento de esquerda,
no Partido Comunista Brasileiro, que
lutava pela sua legalização.
O
espião Horst tinha o código secreto de
R-11 como Agente do DOPS do Rio Grande
do Sul, chegou a ser, durante quase 3
anos, Secretário de Propaganda do
Partido Comunista em Blumenau, de onde
tomava dinheiro e ao mesmo tempo era
pago pelo governo gaúcho.
Foi
um espião eficiente, pois enganou
flagrantemente a todos, comunistas e
socialistas de Blumenau, viajando e
participando com os principais líderes
para todas as reuniões em Florianópolis.
Todos os passos dos comunistas eram
minuciosa, ampla e detalhadamente
relatados ao DOPS de Porto Alegre, onde
se concentravam as atividades de
espionagem e conspiração que se armava
contra o Presidente João Goulart.
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