Crônicas e Críticas - O marketing do Bambam
 
 
 
O MARKETING DO BAMBAM

 

 
 
O marketing não maquia. O marketing não trapaceia. O marketing não mente. Chamem aquilo que vocês vêem cada vez mais na mídia, na boca dos marqueteiros e nos pontos-de-venda de qualquer coisa, menos marketing.
 
Marketing não é um sistema apenas de merchandising, propaganda, relações públicas, pesquisa e promoção de vendas. Marketing é história, sociologia, antropologia, filosofia e matemática. É humanismo, afinal, nenhum ser humano por mais racional que seja consegue comprar qualquer coisa se não houver uma pitada de coração.
A melhor lição que recebi em todos esses anos mexendo, cavoucando marketing, talvez seja a de que a simplicidade é o caminho mais eficaz para o sucesso. Preocupa-me, cada vez mais, a proximidade entre a criatividade e o engodo. Ser criativo está a anos-luz da mentira. Não se concebe criar baseado em falso briefing, em promessas vãs.
 
Vestir o político de ternos bem-cortados ou ofertar produto abacaxi como se fosse estrela é coisa de amadores. No campo da política temos exemplos recentes e deu no que deu. No mundo empresarial, o cartório de falências está abarrotado de pressupostas estratégias mirabolantes de marketing. É claro, depois que a vaca foi pro brejo, esconde-se o brejo.
 
Por todos esses pontos e tantos outros mais, como profissional da matéria e como educador, entristece-me a recente vinda a Goiânia do Big Brou Bambam. Se ele é sucesso em baile de debutantes, em barracas de água-de-coco, em ponto-de-venda de varejo, trata-se de opção e definição de quem o contratou. Mas, uma instituição de ensino, seja de que nível for, trazê-lo para falar a estudantes contraria tudo aquilo que acredito e que posso entender como marketing.
 
Se marketing é isso, estamos dando o direito aos críticos de continuarem a propagar que o marketing pessoal sobrepuja o marketing de resultados; que o marketing de vendas substituiu a lábia do vendedor; e que o marketing político é subordinado à demagogia e às falsas promessas dos candidatos. Se querem ensinar de verdade, chamem o picolezeiro da Campininha que vende 150 picolés por dia ou o velho vendedor de secos e molhados que percorre a Belém-Brasília há 30 anos mascateando e mantendo clientes fiéis em todos esses anos. Seria uma grande aula de práticas comerciais. Chamem, também, uma dessas poetisas ou contadores de causos para falar das coisas de ontem. Comprar na caderneta, encomendar um lombo no açougue preferido, pagar a dívida em dia porque “é muito feio ficar devendo aos outros”, participar da quermesse da igreja. Com certeza, adoçariam a alma e aprenderiam um pouco mais dessa gente que vende e compra da gente o que a gente tem de melhor para vender. Respeitem o marketing.
   
 
 
 
 Luiz Cláudio de Araújo
Jornalista, historiador e gerente de marketing
e Propaganda da Organização Jaime Câmara
Colaboração de Célia Maria - Mina
 
 
 
by neusa - agosto/2002
 
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