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Circula pela
Internet um spam que lista coisas que só as
mulheres conseguem entender, como, por
exemplo, as razões que nos fazem passar a
vida lutando contra o próprio cabelo e a
diferença entre as cores creme, marfim e bege
claro. Realmente, isso é complicado para o
sexo oposto entender. Mas tem uma coisa nessa
lista que é uma bobagem: como uma mulher
consegue fingir naturalidade durante um exame
ginecológico. Meu Deus, qual é o mistério?
A gente vai
regularmente ao dentista, ao dermatologista,
ao cirurgião plástico e, da mesma maneira,
ao nosso ginecologista. Marcamos um horário
de dia, naturalmente, pois à noite eles não
dão consulta. Na sala de espera cruzamos com
várias outras mulheres, um harém, cada uma
esperando a sua vez enquanto lê a Caras.
Quando somos chamadas para dentro do consultório,
o médico faz perguntas absolutamente
triviais: quando você menstruou pela última
vez, se está com secreção, se sente dor
durante as relações. Um diálogo prosaico.
Depois você
passa para outra sala, tira toda a roupa, se
deita e ele examina seus seios, enquanto o
papo prossegue nesse clima de bar.
– E esta
eleição, hein? Eu acho que ainda vamos ter
muita surpresa pela frente.
– Pois eu,
doutor, ainda nem sei em quem vou votar,
imagine.
– Aqui em
cima tudo ok. Agora pode abrir as pernas, por
favor.
E segue tudo
na paz. São quatro horas da tarde de um dia
útil e um homem que você vê uma vez por ano
faz exame de toque no seu útero, onde está o
constrangimento?
– Seu
marido vai bem?
– O Alfredo
vai bem, sim, obrigada.
– Ele ainda
torce pelo Inter?
– Apesar de
tudo.
– Seu útero
está uma beleza. Agora vamos colher material
para análise.
– Que bom.
– E o que
você me diz deste tempo maluco?
– Nem me
fale.
– Pronto.
Maravilha. Pode se vestir.
E então, você
viu alguma coisa de incomum neste relato? Quem
não entende como uma mulher pode ser natural
numa consulta ginecológica não sabe nada
vezes nada sobre a mulher moderna. Agora com
licença que eu vou chorar no banheiro.
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