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Os
gregos ofereceram várias versões sobre o
nascimento de Eros, o deus do amor. Alguns
chegaram a duvidar de sua divindade, afirmando
que era um semideus, outros acreditavam que
era apenas um homem. Talvez nem mesmo um
homem.
Nos
tempos mais antigos acreditava-se que havia
surgido junto com a Terra, provindo do Caos
inicial. Para outros teria surgido de um ovo
gerado pela Noite que se dividiu em duas
partes dele resultando a Terra e o Céu.
Nos
tempos alexandrinos o seu perfil foi
embelezado. Afirmou-se então que
era um ser intermediário que residia
entre os deuses e os homens.
Seria
fruto dos amores de Poro, o expediente, e, de
Pênia, a pobreza. Carregou consigo assim o
DNA de seus pais. De Poro recebeu a capacidade
de perseguir incessantemente o objeto do seu
desejo. De Pênia, a pobreza, carrega uma fome
insaciável.
A
última versão é aquela que guardamos. Eros
é o deus do amor, portanto, tem uma fome
insaciável e uma obsessão irresistível.
Num
conto mais recente
Eros surge como o marido desconhecido
de Psique, a alma. Psique havia sido
recomendada que não poderia olhar para o seu
marido. Obedecendo aos conselhos
de suas duas irmãs, levou para o
quarto uma
lâmpada azeitada.
Iluminado o quarto viu que seu marido
era um adolescente que estava dormindo. Ao
aproximar-se, Psique deixou cair azeite
fervendo sobre seu corpo, que, acordando,
desapareceu dali para o desconhecido. Até
hoje, dizem as antigas histórias, Psique,
a alma, vaga pelo mundo procurando
Eros, sem jamais encontrá-lo. Com mais
detalhes, invertendo-se o conto, o texto serve
de ancestral para
inúmeras histórias infantis e de
adultos, entre as quais, "A Bela e a
Fera".
Falo
dessas antigas histórias porque vejo nelas a
descrição do perfil da humanidade
transmitida através de palavras aparentemente
singelas que reservam no seu interior os mistérios
que muitas vezes insistimos em não ver.
Talvez
haja uma lei divina que nos proíbe olhar para
o rosto da pessoa amada sob a luz de intensa
claridade. A violação da lei, segundo a
mitologia grega, tem como sanção o
desaparecimento do amor por toda a eternidade.
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