Crônicas e Críticas - Gonçalina
 
 
 
GONÇALINA

 

 
 
    Quando a mamãe e papai iam ao cinema, deixava-nos na casa do Gonçalina, para não ficarmos sozinhas. Uma mulata, alta, bonita, que não sei porque azar do destino perdeu vários filhos....e também pelo dito azar, apanhava do primeiro marido, um branco ciumento de sua simpatia e beleza....
      Se o filme começava às sete, às dezoito e trinta, descíamos: eu, Beth, Arlete,  para a casa dela, nessa época, nas imediações da mina d´água. Minha irmã caçula, ainda não havia nascido.
     Chegando lá, ela , sabedora dos nossos gostos provincianos: melado com farinho de milho, ou melado com mandioca, já estava na faina, partindo a rapadura.
      Ah! Meu Deus, como demorava!!!! Mesmo de "barriga cheia", ficávamos ansiosas para comer o bendito melado. E até que a rapadura derretesse, junto com a água....e até que esfriasse, porque melado quente dá azia....era uma eternidade.
     Mas, depois da longa espera... Ave Maria....a gente se lambuzava com aquele doce, tão terra, tão cana, tão açúcar, tão ...natural....
      Hoje rio quando me lembro disso....porque depois....vinha a sede. E ela deixava beber água? Não! Vocês não vão beber água porque dá azia, não vão!
     Puxa, mas que sofrimento nos causava tal degustação....
 
 
 
Autora: Margaret Pelicano
25.08.2002
 
 
by neusa - fevereiro/2003
 
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