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Quando a mamãe e papai iam ao cinema,
deixava-nos na casa do Gonçalina, para não
ficarmos sozinhas. Uma mulata, alta, bonita,
que não sei porque azar do destino perdeu vários
filhos....e também pelo dito azar, apanhava
do primeiro marido, um branco ciumento de sua
simpatia e beleza....
Se
o filme começava às sete, às dezoito e
trinta, descíamos: eu, Beth, Arlete,
para a casa dela, nessa época, nas
imediações da mina d´água. Minha irmã caçula,
ainda não havia nascido.
Chegando
lá, ela , sabedora dos nossos gostos
provincianos: melado com farinho de milho, ou
melado com mandioca, já estava na faina,
partindo a rapadura.
Ah!
Meu Deus, como demorava!!!! Mesmo de
"barriga cheia", ficávamos ansiosas
para comer o bendito melado. E até que a
rapadura derretesse, junto com a água....e até
que esfriasse, porque melado quente dá
azia....era uma eternidade.
Mas,
depois da longa espera... Ave Maria....a gente
se lambuzava com aquele doce, tão terra, tão
cana, tão açúcar, tão ...natural....
Hoje
rio quando me lembro disso....porque
depois....vinha a sede. E ela deixava beber água?
Não! Vocês não vão beber água porque dá
azia, não vão!
Puxa,
mas que sofrimento nos causava tal degustação....
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