Crônicas e Críticas - As magnólias
 
 
 
AS MAGNÓLIAS

 

 
                            
Muitas magnólias foram plantadas nas ruas de Ribeirão Preto. As suas raízes não danificam o chão. A sua copa é muito bonita porque, recebendo um pequeno cuidado, toma a figura da chama de uma vela. As suas folhas estão sempre verdes. Oferece boa sombra para a calçada que quase sempre está pelando de quente.
 
Mas guarda silenciosamente um pequeno e agradável mistério. Floresce quando os ventos de outonos começam a trazer para cá as grandes chuvas de verão.
 
A sua flor é amarela e quase sempre está escondida debaixo das folhas verdes. A sua flagrância foi transportada para o mercado de perfumaria, aromatizando o ar com tal delicadeza que nem mesmo é pressentido pelo pedestre distraído que passa correndo atrás da sua sorte.
 
Para que a flor transmita o seu segredo é importante que as chuvas caiam sobre a cidade  durante o dia e cessem ao cair da tarde permitindo que a noite nasça majestosa vestida com o manto azul do céu avermelhado pelo sol do poente, envolvendo o ar com o seu perfume tão intimista quanto misterioso.
 
Dá até vontade de comparar o perfume da magnólia com o encantamento de certas músicas suaves ou com a beleza inesquecível daquelas  pessoas que não necessitam de uma orquestração sinfônica, nem do rufar  dos tambores, quanto do trinar dos clarins  para atrair a atenção pelo tamanho da sua densa simplicidade.
 
Há que se ter ouvidos agudos para ouvir essas músicas suaves, como olhos atentos para ver aquelas pessoas. Músicas e pessoas que são certamente ou muito amigas ou mesmo aparentadas das magnólias de novembro pois levam  consigo a intimidade e a simplicidade do perfume da magnólia. .
 
Sabem perfumar o ar que as cercam ocultando-se sob a folhagem das árvores e debaixo do manto da eterna noite. 
 
 
 Sérgio Roxo da Fonseca
 
 
by neusa - agosto/2002
 
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