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Muitas
magnólias foram plantadas nas ruas de Ribeirão
Preto. As suas raízes não danificam o chão.
A sua copa é muito bonita porque, recebendo
um pequeno cuidado, toma a figura da chama de
uma vela. As suas folhas estão sempre verdes.
Oferece boa sombra para a calçada que quase
sempre está pelando de quente.
Mas
guarda silenciosamente um pequeno e agradável
mistério. Floresce quando os ventos de
outonos começam a trazer para cá as grandes
chuvas de verão.
A
sua flor é amarela e quase sempre está
escondida debaixo das folhas verdes. A sua
flagrância foi transportada para o mercado de
perfumaria, aromatizando o ar com tal
delicadeza que nem mesmo é pressentido pelo
pedestre distraído que passa correndo atrás
da sua sorte.
Para
que a flor transmita o seu segredo é
importante que as chuvas caiam sobre a cidade
durante o dia e cessem ao cair da tarde
permitindo que a noite nasça majestosa
vestida com o manto azul do céu avermelhado
pelo sol do poente, envolvendo o ar com o seu
perfume tão intimista quanto misterioso.
Dá
até vontade de comparar o perfume da magnólia
com o encantamento de certas músicas suaves
ou com a beleza inesquecível daquelas
pessoas que não necessitam de uma
orquestração sinfônica, nem do rufar
dos tambores, quanto do trinar dos
clarins para
atrair a atenção pelo tamanho da sua densa
simplicidade.
Há
que se ter ouvidos agudos para ouvir essas músicas
suaves, como olhos atentos para ver aquelas
pessoas. Músicas e pessoas que são
certamente ou muito amigas ou mesmo
aparentadas das magnólias de novembro pois
levam consigo
a intimidade e a simplicidade do perfume da
magnólia. .
Sabem
perfumar o ar que as cercam ocultando-se sob a
folhagem das árvores e debaixo do manto da
eterna noite.
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