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Estava o amor
em uma de suas andanças pela terra, disfarçado
em um pobre ancião, quando deparou-se
com uma jovem e perguntou-lhe:
Menina você
já amou? Você sabe amar?
Ela trazia no
rosto a marca da desilusão, da descrença,
pois, não sabia amar, não acreditava mais no
"tal" amor.
Foi quando
ela respondeu:
Não me
venhas falar de algo que não existe...
Ouvindo estas
palavras o amor não se conteve, como? como
alguém poderia dizer que "ele" tão
grandioso não existia. Reuniu-se de todas as
suas forças, de todo seu orgulho e disse a
jovem:
Menina, o
amor existe. Simplesmente você ainda não o
descobriu. Em breve você o conhecerá e amará
como alguém jamais amou!
Ao ouvir
estas palavras, a jovem não se importou, nem
ao menos deu alguma resposta, pensando que
aquele pobre ancião deveria ser apenas mais
um louco, ou quem sabe um fanático religioso,
que pregava o Amor Maior.
Percebendo
que a jovem não tinha dado importância à
suas palavras, o amor muniu-se de todas as
suas forças e sentindo-se desafiado fez com
que ela encontrasse em seu caminho o homem que
viria a amar realmente.
Tanto fez o
amor, que ela tomou-se de uma paixão
avassaladora. Em pouco tempo conheceu o homem
que amaria. Sentia-se bem, feliz, mudou seus hábitos,
brincava mais, cantava, enfim realmente havia
conhecido o amor.
O tempo foi
passando, ela cada vez mais apaixonada, não
conseguia compreender como podia amar tanto,
como seria possível acordar amando, passar os
dias e noites amando. O amor que sentia era tão
forte que ela já não administrava seus
sentimentos. Não conseguia distinguir o que
era real ou loucura. Vivia em função de tal
amor.
Até que um
dia, estava ela sentada em uma praça, quando
aquele mesmo ancião aproximou-se dela e fez a
mesma pergunta de outrora:
Menina você
já amou? Você sabe amar?
Tamanho foi o
espanto do amor, quando a jovem simplesmente
respondeu:
Sim... eu
amo, mas não sei amar, pois, simplesmente me
colocaram o amor em minha vida, mas jamais
ensinaram-me a amar...
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