Crônicas e Críticas - A menina que não sabia amar
 
 
 
A MENINA QUE NÃO SABIA AMAR

 

 
 
Estava o amor em uma de suas andanças pela terra, disfarçado em um pobre ancião, quando deparou-se  com uma jovem e perguntou-lhe:
Menina você já amou? Você sabe amar?
Ela trazia no rosto a marca da desilusão, da descrença, pois, não sabia amar, não acreditava mais no "tal" amor.        
 
Foi quando ela respondeu:
Não me venhas falar de algo que não existe...
Ouvindo estas palavras o amor não se conteve, como? como alguém poderia dizer que "ele" tão grandioso não existia. Reuniu-se de todas as suas forças, de todo seu orgulho e disse a jovem:
Menina, o amor existe. Simplesmente você ainda não o descobriu. Em breve você o conhecerá e amará como alguém jamais amou!
Ao ouvir estas palavras, a jovem não se importou, nem ao menos deu alguma resposta, pensando que aquele pobre ancião deveria ser apenas mais um louco, ou quem sabe um fanático religioso, que pregava o Amor Maior.
Percebendo que a jovem não tinha dado importância à suas palavras, o amor muniu-se de todas as suas forças e sentindo-se desafiado fez com que ela encontrasse em seu caminho o homem que viria a amar realmente.
Tanto fez o amor, que ela tomou-se de uma paixão avassaladora. Em pouco tempo conheceu o homem que amaria. Sentia-se bem, feliz, mudou seus hábitos, brincava mais, cantava, enfim realmente havia conhecido o amor.
O tempo foi passando, ela cada vez mais apaixonada, não conseguia compreender como podia amar tanto, como seria possível acordar amando, passar os dias e noites amando. O amor que sentia era tão forte que ela já não administrava seus sentimentos. Não conseguia distinguir o que era real ou loucura. Vivia em função de tal amor.
Até que um dia, estava ela sentada em uma praça, quando aquele mesmo ancião aproximou-se dela e fez a mesma pergunta de outrora:
Menina você já amou? Você sabe amar?
Tamanho foi o espanto do amor, quando a jovem simplesmente respondeu:
Sim... eu amo, mas não sei amar, pois, simplesmente me colocaram o amor em minha vida, mas jamais ensinaram-me a amar...
  
 
 
Autor: Léia Barros
05.05.2002
 
 
by neusa - fevereiro/2003
 
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