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A mentira é
o pior germe infiltrante e contaminante de uma
relação.
Conviver com
alguém implica, necessariamente, em
cumplicidade.
Começa a
acontecer naturalmente uma seleção de
responsabilidades, ou melhor, de atribuições
entre o casal.
Há sempre o
que é mais prático, racional, mais
"terra", e aquele que é mais
sonhador, mais passional, mais "nas
nuvens". Em ambos existe, acima de
qualquer coisa, a confiança. Aquela certeza
que nos faz não ter que pensar sobre certos
assuntos que já são considerados como certos
e esperados.
Tudo muito
bom, tudo fluindo com muita paixão, muito
amor e liberdade. Diálogos, respeito,
verdades. Ótimo! Amar é realmente muito bom,
faz a vida parecer leve, fácil, bela.
O tempo
passa, o relacionamento cresce e amadurece. O
namorico solidifica um sentimento pleno,
gratificante, de contar com o outro, de não
se estar só no mundo.
Aí, em
determinado dia, o telefone toca e você
descobre, casualmente, uma pequena mentira.
Algo sem muita importância e, por isso mesmo,
absolutamente desnecessária, que em nada
modificaria suas vidas. Você estranha, mas não
dá muito valor, justamente pela falta de
conseqüências acompanhando a mentira. Nem
chega a comentar o que descobriu e pensa que
tudo passou e foi esquecido.
A vida
continua. Tudo muito lindo. Amar faz bem.
Certo dia,
uma correspondência estranha. Você fica
curiosa, mas não abre, ela não é sua.
Ele a abre
meio que escondido e não faz comentários.
Você
questiona, ele mente.
Você
acredita, afinal, não teria motivos para
duvidar daquele parceiro de tantas
cumplicidades.
Até que
chega outra cartinha. Sua intuição pede para
abri-la, mas sua formação regateia, e mais
uma vez você não segue seus instintos,
preferindo ficar com a "moral e bons
costumes", além de uma singela
"pulga atrás da orelha".
Novamente ele
chega, pega a carta, disfarça bem e só vai
abri-la no banheiro, trancado.
Você
percebe, fica quieta e espera que ele esclareça
ao sair.
Qual nada!
Ele sai muito tempo depois, nem toca no
assunto.
Você o
aborda e ele mente.
Você
desconfia, mas engole a mentira.
E por que
engole? Porque tem medo da verdade. Sabe que há
algo que não está correto, já que você não
pode compartilhar.
A partir
dali, a relação fica instável, você está
desconfiada e impaciente, tudo é motivo para
duvidar. Torna-se chata, questiona, se mete,
discute, enfim, transforma-se na mulher que
tanto abomina.
A convivência
vai ficando cada vez mais difícil, o carinho
vai sendo reduzido, substituído pela
tristeza, a vontade de estar junto vai
desaparecendo.
Qualquer
atraso é encarado de outra forma, qualquer saída
da rotina causa sensação de traição.
Na carta
seguinte, você não agüenta e abre, e
descobre o que já sabia: ele mente.
Aí tudo
desmorona, porque mesmo que o motivo da
mentira e das cartas, o remetente e os
telefonemas, não sejam nada demais, sem
grandes importâncias, só o fato dele enganar
por isso já significa que mentiria (se é que
já não o faz) para coisas bem maiores, e com
a mesma cara de pau.
E como contar
com alguém que mente, que trai a confiança,
que esconde?
Como confiar
suas finanças, seu sono, seu amor, sua vida,
a alguém que omite?
Como ser
feliz sem ter certeza?
A mentira é
um vício. Tem mentiroso contumaz, que mente
apenas por não saber dizer a verdade. Pode
ser uma doença, uma forma de fobia, ou apenas
uma grande canalhice. Não importa, ele não
diz mesmo. E se dissesse, você acreditaria?
É possível
que a mentira tenha tratamento ou até cura.
Mas você nunca vai saber, não é mesmo?
Quando ele
disser que a ama, você vai assimilar como
verdade?
Quando ele
falar que vai ali e já volta, você vai
imaginar que ele apenas vai calibrar os pneus
do carro no posto?
Quando ele
receber um telefonema e sair da sala para
falar no quarto, você vai entender que foi
simplesmente para não atrapalhar a melhor
parte do filme que você estava assistindo?
Ai, a mentira
é daninha, vai corroendo o amor. A cada nova
descoberta, nova cicatriz e sensação de
exclusão, de solidão. A velha solidão a
dois. E ela existe. Ela não é uma mentira.
Ela está bem viva, matando o amor.
Livre-se
dela!
Livre-se
dele!
Procure a sua
verdade e o seu verdadeiro caminho.
Seja feliz!
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