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Segundo um amigo,
a cidade de São Paulo teria adotado
como símbolos um pássaro e uma flor, ou
seja, o sabiá e a azaléia. Não confirmei a
afirmação mas a aplaudi de pé.
Após o Tom e o Chico terem
imortalizado em verso e som o sabiá, melhor
dizendo, a sabiá, que eu ainda irei ouvir
cantar debaixo de uma palmeira que já não há,
fico acreditando que ainda vou voltar para o
meu lugar. O encanto extraordinário da música,
talvez a mais perfeita que ouvi entre as
denominadas populares, alçar o sabiá
à altura de
símbolo de uma cidade de pedra e cal,
pareceu-me mais do que um belo gesto, mas,
sim, um modelo a ser seguido.
A azaléia, cujo nome, segundo o mestre
Silveira Bueno, vem da Grécia, onde significa
seco ou enxuto, nestes tempos de pouca chuva,
toma cor que as palavras não descrevem.
Prefiro dizer que isso ou aquilo têm a cor da
azaléia.
O filólogo acrescenta que a palavra
foi acentuada na terceira letra pelos espanhóis
e na última pelos franceses, valendo para nós
qualquer das duas pronúncias. O costume
consagrou a influência francesa.
Fiquei matutando que quem transformou o
pássaro e a flor no símbolo da paulicéia
desvariada bem mereceria ser conhecido e
aplaudido com toda força. O sabiá e a azaléia,
um com o seu canto evocativo e a outra com a
sua cor indescritível bem remontam um cenário
sonoro e colorido que a cidade de São Paulo
fez por merecer.
Mas se é assim, bom seria se a minha
cidade também adotasse esses símbolos. Quais
dos pássaros ? Quais das flores ? Já não são
tantos e nem tantas hoje em dia, mas ainda
sobreexistem nesses tempos de quase primavera.
Vou dar um palpite. No jardim da
catedral e no Museu do Café plantaram enormes
curupitas. Para alguns a curupita chama-se cuiê
ou abricó de macaco. Afirmam que vieram da
floresta amazônica.
No Rio de Janeiro há curupitas
defronte do aeroporto Santos Dumont e, é
claro, no Jardim Botânico. Poucas vezes vi
uma flor tão misteriosamente bela. Nasce no
tronco de uma grande árvore. Parece esculpida
em madeira, variando sua cor do vermelho forte
ao amarelo. Se pudesse a flor da curupita
seria um dos símbolos da minha cidade.
E o pássaro ? Hoje em dia a cidade foi
invadida pelas maritacas e pelas rolas. Nada
contra elas, ao contrário, gosto de ver a
disciplina dos gritos das primeiras e o silêncio
sorumbático das segundas. Mas daria meu voto para o pintassilgo que com o seu belo nome
e com a harmonia do seu canto transportam a
gente para os tempos de eu criança quando as
árvores se forravam deles prelibando a primavera. A cidade ficaria mais nossa se simbolizada pela
curupita e pelo pintassilgo. Nós também
ficaríamos mais atentos com o som dos pássaros
e as vozes das flores.
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