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QUERO...COMO
QUERO!
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Caminhar
é a urgência tirânica.
Caminhar...Caminhar...Perder-se,
em rastros no pó da estrada.
Não
há curvas, a reta é a única opção.
O
pó, entranhando-se nos pés solitários,
conta a história do que o tempo fez deixar
para trás.
Cada
rosto esvaído no sentir, no perder, tem
guardado em sua memória as horas em que começou
a caminhar nesta estrada.
Muitos
lembram gargalhadas ocas que se dissolveram no
vazio, levadas pelo vento.
Outros
guardam o vinco fundo das dores escorridas
sobre a pele seca de esperar.
Caminhar
é o fado guardando lágrimas estagnadas de
lamentos amorosos, exortando coragem e levando
a buscas de sonhos.
Durante
muito tempo caminho deixando-me ficar, em
fragmentos ao longo do caminho. Não olho para
trás, apenas sei dos ontens perdidos. Não
vividos, apenas vislumbrados.
Vejo
a vida como um mosaico colorido de ontens
sofridos
e amanhãs de esperanças. Os hojes não
se fixam, são instantes dentro da eternidade.
É
esta a estrada que tenho que caminhar, não
importa, se há
o longe, ainda não o diviso.
Não
importa se desejo pousar, meu cansaço, em braços
ternos, se me perder em olhares coloridos ou
na melodia
de voz suave. Se me aninhar em colo
morno para ouvir uma canção de ninar.
Quero
dormir...
Quero
o embalo da voz materna, o calor
de macios braços envolvendo-me em
espumas de algodão, roubadas de uma nuvem
fugidia.
Quero
chegar ao fim do caminho, salva pelo amor.
Quero...ó
como quero! ... deixar meu corpo suavemente
solto ao léu e descansar, em macio colo, num
sono com cheiro de inocência,.
Então,
tudo será paz e a estrada e os rastros ficarão
petrificados em sons que se perderão,
na poeira, ao longo da estrada.
Quero...ó
como quero chegar!
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Autora:
Maria Augusta Christo de Gouvêa
autora
dos livros:
"Vivendo
as Perdas sem Danos" - 3a edição
"Terceira
Idade, ainda tempo de Semear" - 1a
edição
ambos
pela Editora Vozes
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Livro
de visitas
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