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O que eu
acho?
Eu acho que
essa questão de segurança, é uma questão
muito complexa, e que na verdade a gente
deveria sair um pouco desse discurso de polícia
versus bandidos e tratar de dar autoridade à
pessoas que tenham chegado perto à excelência
neste assunto. Elas existem, que tal se as
encontrássemos?
O fato é que
no Brasil as instituições policiais
judiciais e carcerárias não cumprem o seu
papel e isso gera um emaranhado de distorções
e deu no que deu... Traficantes Super-Star,
Deputados Genocidas e Cineastas Criminologistas...
que Deus nos proteja!
O dia em que
a nossa policia for realmente polícia, o
sistema judiciário for realmente eficiente e
igualitário e o sistema carcerário for aceitável,
estaremos no caminho certo. O que por si só
será um trabalho homérico, mas que PRECISA
ser feito. Homérico porque envolve um grande
investimento em dinheiro, técnica e ética. E
terá que contar com o engajamento de
milhares de pessoas
como ministros, secretários de Estado,
toda a hierarquia policial, judiciária,
penitenciária, ONG´s e peritos em geral. Além,
é claro, de eu e você.
Enquanto o
bate boca entre a população, autoridades,
intelectuais estiver raso como no discurso do
nosso venerável deputado, essas pendências só
farão aumentar. Assim como os criminosos só
parecem ter perícia para operar com a sua própria
perversidade sem fim. parece que algumas
autoridades falam mesmo é a lingua da truculência,
da negligência e da demagogia. E é
importante lembrar que se os marginais
existem, quem deu a eles o benéfico do CAOS,
fomos nós, a sociedade e o estado. Há 50
anos que deixamos a violência trabalhar em
paz...livres para construir os seus PCC´s e não-sei-mais-o-que´s.
Acaba
sobrando à Arte um papel que não deveria ser
só dela, que é a busca pela sensatez e pela
paz.E nesse sentido não se pode criticar o
humanismo ingênuo dos artistas, pois não
foram eles que desencadearam todo esse
desvirtuamento, muito pelo contrário , estão
apenas colocando na mesa essa questão que nos
afeta, e muito. E que temos que enfrentá-la!
Eu assisti ao
filme e li o livro. O autor deixa bem claro:
"Só Deus, os presos e a polícia estavam
lá. Eu só ouvi os presos" . Essa é aliás
a frase que encerra o filme (Você Viu?). Então
o deputado pode reclamar de tudo, só não
pode dizer que eles (o autor e o diretor)
jogaram sujo...
Eu não quero
esse Brasil para mim, eu quero um país onde
as pessoas usem sua perícia não para a
perversidade, mas que tenham condições mínimas
de desenvolver o seus talentos e criar...
Um país
todos conheçam os espaços e direitos de cada
um, conciliando
o individual e o coletivo.
E aqueles que
por ventura devido a um defeito na alma ou na
índole escolham outro caminho, que sejam
confinados e tratados. Como seres humanos.
Mesmo que pelo resto de suas vidas. E de
acordo com os padrões éticos que o homem já
conquistou até aqui.
Também
desejo um país onde a arte seja livre para
lançar seu olhar sobre qualquer aspecto de
nossas vidas, sob qualquer abordagem que lhe
pareça interessante.... e que o público
tenha acesso à toda fonte de informação,
formação e cultura para ter o seu próprio
discernimento sobre essas questões. Sem
ingenuidade nem manipulação. E que em posse
deste discernimento possamos dar aos filmes e
aos discursos demagógicos, a proporção que
eles realmente têm.
Que tal um país
que não falasse a língua do pânico, do
ressentimento e da hipocrisia?
e que tal um
país onde o nosso pavor não fizesse com que
genocidas se tornassem deputados??
A mim e você,
cabe abdicar ao pânico e à impotência e
lutar pela disseminação da sensatez. E isso
já é um começo...
Bocage
PS1: O Fato:
centenas de presos confinados,
desarmados, nenhum refém. O saldo: 111 presos
exterminados. Nenhum policial morto.
PS2:
"E na TV
se você vir um deputado em pânico
Mal
dissimulado
Diante de
qualquer, mas qualquer mesmo
Qualquer
qualquer
Plano de
educação
Que pareça fácil
Que pareça fácil
e rápido
E vá
representar uma ameaça de democratização do
ensino de primeiro grau
E se esse
mesmo deputado defender a adoção da pena
capital
E o venerável
cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no
marginal
E se, ao
furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um
homem mijando na esquina da rua sobre um saco
brilhante de lixo do Leblon
E quando
ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
diante da chacina
111 presos
indefesos
Mas presos são
quase todos pretos
Ou quase
pretos
Ou quase
brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são
como podres
E todos sabem
como se tratam os pretos
Pense no
Haiti
Reze pelo
Haiti
O Haiti é
aqui
O Haiti não
é aqui "
Caetano
Veloso /"Haiti"/ 1993.
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