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Seu Geraldo Rezende tocava violão e
cantava em dupla com vários cantores
sertanejos. Uma das duplas era com Augustinho.
Às vezes, se apresentava no programa matinal
do Zé Toquinho,na
Rádio Paraisense. Adorava fazer
serenatas, sob as janelas das pessoas amigas,
em noites de verão e lua cheia.
Era
um homem simples, vivia de pintar paredes e
sonhava com a grandeza do Brasil.
Candidatou-se, certa vez à Câmara de
Vereadores, pelo MDB - o partido 'manda
brasa'. Era casado com Tereza, comadre de
minha mãe, que havia crismado Maria Aparecida
- Nininha, sua filha mais velha, hoje morando
em São Paulo e formada em direito.
É
uma família simples e muito alegre. Desses
amigos , muitas histórias engraçadas
poderiam ser escritas. Houve uma segunda
candidatura do Senhor Geraldo, por volta de
1966. Ele era
moço
e socialista. Vivia
a maior parte do tempo para seu violão
e a política. Cantava com freqüência:
“Voa, pombinha, branca voa....diga a ela que
voltarei...." música de sucesso naqueles
tempos.
Em
reunião com os companheiros de partido, no
escolhe, escolhe de quem vai compor a chapa,
ele foi o eleito por ter muita amizade ,
portanto mais chances. Junto com ele,
candidatou-se à vereança o amigo Mané
Coelho. Feita a Campanha chegou o dia da eleição.
Mané votou nele mesmo e no amigo do peito,
Geraldo Rezende. Assim, o voto foi anulado.
Mané, não se conformou, vestiu sua melhor
roupa, pegou seu guarda-chuva e foi tirar
satisfação com o juiz eleitoral, que lhe
explicou: “- Meu amigo, você, não pode
colocar na mesma cédula votos para duas
pessoas do mesmo partido e mesmo cargo."
O
povo Paraisense, muito espirituoso, perguntou
a Mané Coelho quando saía do fórum:- Você
pelo menos sabe onde fica a URSS?
Ele
respondeu: “-Sei não, nem sei a cor da
bandeira!!! Mas sei que o Comunismo e o
Socialismo pregam que os homens devem viver em
igualdade'.
Ah!
meu nobre Mané Coelho, na sua ingenuidade e
simplicidade, você tinha apreendido o
"feeling" do partido. Isso , sim,
era o mais importante!
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