Cronicas - Violência criminosa
 
 
 
VIOLÊNCIA CRIMINOSA

 

 
         
            Tenho em mãos o perfil do sistema carcerário do Estado de São Paulo, referente ao período que vai de 1º a 31.12.1996, referindo-se às pessoas presas naquelas datas. A questão merece ser analisada exatamente agora quando a imprensa   noticia o recrudescimento da violência.  O problema merece ser agravado com a onda de desemprego que está crescendo de maneira incontrolável.
 
O trabalho foi realizado pelo governo do Estado de São Paulo. Possibilita realizar uma reflexão séria e objetiva em torno de uma grave questão quase sempre tratada com pouca objetividade e muita emotividade.
 
            No último dia de 1997, tínhamos 33.382 presos cumprindo pena em estabelecimentos penitenciários. Mais 15.453 cumprindo pena em Delegacias de Polícia ou Cadeias Públicas e 4.959 em regime semi-aberto.
 
            Os delinqüentes de cor branca eram os de maior número, ou seja, 56%, para 14% de negros e 30% de mulatos.
 
            Os jovens estão também em maioria pois 32% dos presos tinham de  18 a 25 anos; 26%  tinham de 26 a 30 anos, decrescendo a percentagem daí para frente na medida em que a idade aumentava.
 
            Os solteiros também encabeçam a lista com 50% para 16% de casados e para  38% daqueles que vivem maritalmente.
 
            Pesquisando a escolaridade, percebe-se que o maior número de presos  tem o primeiro grau incompleto, ou seja,  60%, para 7% de analfabetos e 1% de universitários. Havia 5.353 presos com micose para 2.787 com escabiose, 500 com tuberculose. A AIDS já havia contaminado  6% dos examinados. Os desempregados somavam 42% para 31% de empregados e 27% de autônomos.
 
            Condena-se muito por roubo, ou seja, 46% para 11%  de homicídas e 2% de estelionatários. Cada preso, em média, custava na época  R$ 530,13 por mês ao Estado de São Paulo.
 
O número de homicidas é muito grande. É cada vez mais caro o sistema carcerário paulista pois um preso consumia cinco vezes o salário mínimo vigente. Suponho que o valor refira-se ao custo direito, assim compreendido o que se gasta exclusivamente com sua pessoa, excluindo-se despesas realizadas com a manutenção de todo o sistema judicial e prisional, que o envolve.
 
  mais de cem mil mandados de prisão expedidos. Conclui-se que o aparato repressivo, Poder Judiciário, Ministério Público e Segurança Pública, está condenando muito mais do que é possível prender.
 
O que não se consegue ocultar é uma questão de fato e não de direito. O sistema jurídico tem sido rigidamente aplicado, sem conseguir conter a violência. A sociedade vem gerando muito mais delinqüentes do que o Estado consegue reprimir. Se quiséssemos desenvolver uma política de contenção  à  violência deveríamos nos afatigar na luta contra o desemprego e  contra a falta de educação escolar, oferecendo melhores condições de saúde aos mais necessitados. E  implantar um sistema de distribuição de rendas mais consentâneo com as exigências da convivência civilizada.        
 
 
 
Autor: Sérgio Roxo da Fonseca
 
 

 

 
by neusa - abril/ 2003
 
 
 
 
 
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