APRENDENDO
A VOAR
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"sou
menino passarinho
com
vontade de voar".
Luis
Vieira
Quando ainda jovens tudo
queremos saber, entender. Temos todas as dádivas da vida, ao nosso redor, e
nos afligimos perdidos em angústias, sofrendo esperas como filhotes de
passarinho, que ainda não sabem voar.
Lamentamos, se demoramos a
alcançar nossos objetivos e sofremos, se alguém sonhado, não nos vem ao
encontro. Temos urgência, e nos perdemos em buscas externas e, como
cegos às apalpadelas, entramos em atalhos, correndo o risco de perdermos o
caminho.
Quantas vezes voltamos
cabisbaixos, como se estivéssemos vivendo o maior drama e perdido a última
oportunidade. O desânimo toma ares
de tragédia, e somos impelidos a tudo deixar para trás. Encetamos lutas
inglórias, e assim vai a vida nos levando, de quedas em quedas, de medos em
medos e perdas irrecuperáveis de tempo.
E nesse longo caminhar,
aprendemos que o que procuramos está dentro de nós. Basta mergulharmos, no
mais puro de nosso ser, buscando verdades em nós mesmos. Só assim
estaremos prontos para saber a vida, descortiná-la em seus mistérios,
preparando-nos para compartilhar o amor. Vivermos em nós mesmos, o fantástico
sentimento de não estar só.
Tudo que vivemos, nada mais
foi do que aprender a voar!
Só agora estaremos prontos
a entrar na vida de alguém. Compartilhar nossas lutas e conquistas com quem
dividiremos nossos sonhos, e nosso destino.
Chega, enfim, a hora certa
de darmos o grande vôo e alcançarmos o espaço.
Antes não poderíamos
chegar na vida de ninguém. Não seríamos reconhecidos. Nada teríamos para
oferecer e muito menos estaríamos preparados para nos entregarmos.
Quando pensamos que é
tarde é justamente a hora certa. Há tempo para tudo, e fruto, colhido
antes ou depois da hora, não sabe bem ao paladar.
É tempo de compartilhar o
que aprendemos. Amar sem medida mas com segurança do sentimento. É saber
dar sem pedir ou impor.
Depois dos atalhos, das
quedas e dos medos caminharmos muitos caminhos em nós mesmos. E assim
termos alguma coisa para ensinar a outro pequeno pássaro, que ainda tenta
voar com suas fracas asas.
Por mais pressa que
tenhamos chegaremos a tempo. A vida sempre nos espera.
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Autora:
Maria Augusta Christo de Gouvêa
Autora
dos livros: "Vivendo
as Perdas sem Danos - 3ª edição
"Terceira
idade, ainda Tempo de Semear" - 1ª edição
Editora
Vozes
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Livro
de visitas
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