Neupoesias - Quem sou; minha vida

 

 

 

 

QUEM SOU
 
 
 
Nasci na Capital do Estado de São Paulo (Brasil), em 27 de setembro de 1.951 e lá residi até dezembro de 1.988. Filha de pais que lutaram muito até chegarem à condição de "classe média". Tive um irmão que faleceu há dois anos. 
 
Estudei no Colégio Emilie de Villeneuve até o início do curso secundário, passando então para os colégios estaduais Ennio Voz e  Manoel de Paiva. Paralelamente fazia cursos de piano, inglês e aqueles que todas as mães sonhavam para as filhas (tapeçaria, tricô, pintura em tecido, culinária, etc, etc, etc, se bem que entre todos estes apenas a culinária é meu forte, rs).
 
Entrei para a Pontifícia Universidade Católica no início dos anos 70, principiando o curso de Direito, o qual abandonei no 3º ano por vários motivos. O principal foi a “ língua comprida”, numa época em que até abrir a boca era perigoso por causa do regime governamental que dominava o país.
 
Trabalhei em algumas firmas como secretária executiva. 
Fugi de casa para morar com o homem que amava. Moramos juntos e tive um filho, Alessandro. 
Separei-me dele em 1980 e parti para a luta, com meu filho pequeno e sem um tostão no bolso. 
Fiz de tudo um pouco até conseguir um emprego fixo. Entreguei marmitas, fui motorista, babá, dei aulas de inglês para principiantes, vendi doces. Enfim, lutava como podia para sustentar meu filho.
Oito meses depois de separada, conheci meu atual marido, também separado, com dois filhos e em três meses estávamos casados, juntando os dele e o meu até que em 1.985 tivemos a nossa.
 
A partir daí nada mais foi previsível da mesma forma que  nenhum emprego resistia a quatro pestinhas querendo atenção 24 horas por dia, sete dias por semana, rs. A única atividade lucrativa que pude ter, naquela época, foi fazer doces, salgados e bolos porque podia fazê-los em casa e assim cuidar das crianças.
 
Em 1.988 mudamos para Praia Grande, litoral de São Paulo realizando assim um sonho que tinha desde pequena.
 
Foi nessa época que descobri que sofria de Síndrome do Pânico. Para quem não sabe o que é isto, explico em três palavras: não pego estradas. É isto; sou incapaz de estar em qualquer estrada ou até mesmo atravessá-la, seja como motorista ou passageira de qualquer tipo de veículo.
 
Fiz tratamentos, análise, terapia em grupo mas nada resolveu portanto estou confinada a este trecho do litoral. Não me sinto frustrada ou infeliz com esta situação. Assumi minha fobia, enquadrei minha vida nela e com esta postura consigo viver bem e ser feliz assim.
 
Com o crescimento dos filhos e conseqüentemente tendo mais tempo livre (será? rs), percebi que a vidinha de dona de casa na pacata Praia Grande (sem mercado de trabalho nem para os jovens, quanto mais para as pessoas de meia idade) não me atraía. Televisão, novelas, cursinhos e bate papo com vizinhas, nem pensar. Por outro lado, máquinas me causavam pavor, principalmente computadores.
 
Neusa Cardoso
 
atualizada em agosto 2002
 
 
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