NaldoVelho - Bala perdida
 
 
 
BALA PERDIDA

 

 

Teria sido bala perdida ?

Ou teria gravado no corpo

Riscado a faca o meu nome ?

Sei não !

Só sei que foi por pouco,

Passou queimando-me a pele,

Abrindo um sulco no rosto

Que sangra o sangue dos tolos,

Que jorra em versos, poemas,

Confissões, sussurros, desgostos

E que lateja toda a vez que eu toco,

Que eu penso, que eu ouso, ou que eu choro.

O mais certo é que sido tocaia,

Causo pensado e desforra,

Dor que eu causei,

Quem sabe um desconforto?

Talvez dor de mulher amada?

Melhor dizer desamada,

São tantas as idas e vindas

Daquele que não tem um porto.

Melhor andar mais atento,

Evitar outros tantos constrangimentos,

Pois são muitos os perigos da vida

De quem escolheu a inquietude

Como caminho acidentado e urgente.

Melhor queimar com aguardente

Cauterizar a ferida, fazê-la latente.

Cicatriz sempre incomoda.

Por mais que eu negue e esconda

Que a dor que eu sinto não vai embora

É dor de poeta e indigente

Que escolheu vadiar pelo mundo afora.

 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Pormenores
de
Antonio Jorge Nunes
 
http://www.antonionunes.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
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