|
Teria sido bala perdida ?
Ou teria gravado no corpo
Riscado a faca o meu nome ?
Sei não !
Só sei que foi por pouco,
Passou queimando-me a pele,
Abrindo um sulco no rosto
Que sangra o sangue dos tolos,
Que jorra em versos, poemas,
Confissões, sussurros, desgostos
E que lateja toda a vez que eu toco,
Que eu penso, que eu ouso, ou que eu choro.
O mais certo é que sido tocaia,
Causo pensado e desforra,
Dor que eu causei,
Quem sabe um desconforto?
Talvez dor de mulher amada?
Melhor dizer desamada,
São tantas as idas e vindas
Daquele que não tem um porto.
Melhor andar mais atento,
Evitar outros tantos constrangimentos,
Pois são muitos os perigos da vida
De quem escolheu a inquietude
Como caminho acidentado e urgente.
Melhor queimar com aguardente
Cauterizar a ferida, fazê-la latente.
Cicatriz sempre incomoda.
Por mais que eu negue e esconda
Que a dor que eu sinto não vai embora
É dor de poeta e indigente
Que escolheu vadiar pelo mundo afora.
|
|
|