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Este aí, há de nascer sob o manto da estrela da manhã.
De uma manhã de chuva, exatos três de agosto,
Ano do tigre, signo de leão.
No Tarot, o Eremita será a sua carta,
Uma homenagem aos Homens do Caminho,
Um culto a solidão !
Será filho de Omulú e de Iemanjá,
Seus padrinhos serão Xango e Mamãe Oxum.
E tudo isto, com a licença de Oxalá !
Já vai nascer de castigo,
Nada que seja muito dramático, nem trágico...
É pelo muito que andou aprontando em outras trilhas, caminhos.
Apenas o suficiente para que ele possa aprender a rescrever o seu destino.
Contam os anciões do conselho que por força dos seus próprios desatinos,
Antes do renascimento, ainda na fase do preparo,
Quando o bolo estava sendo feito, de propósito foi recheado
Com uma massa danada de temperada,
A quem um espírito amigo, chamou de inquietação.
E que por ser também condimentada, ficou de pimenta ardida,
Pra que até que fosse depurada, ser de difícil digestão.
Prevêem os anciões do conselho,
Que ele vai ter que ser muito testado,
Vai ter que aprender a amar e a sofrer com os desencontros,
Vai ser um colecionador de lembranças, cicatrizes, feridas,
Vai ter que aprender a lidar com as perdas e com o desencanto,
Vai construir muitos castelos de areia,
Pro mar poder desmanchar em dia de maré cheia,
Vai ter sempre uma lágrima nos olhos pronta pra chorar,
Mas nunca vai poder se entregar ao pranto,
Mesmo que seja por uma saudade imensa e tanta,
Vai ter que buscar sempre o remédio que possa estancar a sua dor.
Vai ter que finalmente aprender sobre a dor,
Não mais a sua, mas a de tantos,
Que é pra que a dor que existe no mundo um dia saber exorcizar.
Vai ser certamente um poeta, alguém com muita coragem,
Vai ter que escrever muitos versos,
Seus passos, caminhos, vivências,
Pra que se um dia, quando merecer sair do castigo
Possa se transformar num guia, não mais um anjo caído,
Um servo, um trabalhador do caminho,
Alguém com quem possamos contar.
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