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É no caminhar incessante
Por estradas rochosas distantes,
Por acidentados e estreitos atalhos,
Que eu construo os poemas que eu tento.
É na insônia intrusa e insistente
Das madrugadas que eu sinto tão frias,
Que eu colho as sementes que eu sonho
Dos versos que eu teimo e proponho.
É lá dentro das minhas entranhas
Que eu macero as palavras que eu tenho,
Faz tempo preciosamente guardadas
E dissolvo em silêncio os meus ais.
É no parimento de tantos poemas
Que eu exorcizo sentimentos antigos
E absolvo o homem que eu penso,
Capaz de amar muito mais.
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