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Primeiro os versos,
Explícitos, confessos,
A mostrar que o poema
Só existe como conseqüência,
Descaradamente evidente,
Do que eu desejo de você.
Depois a pele morena,
Os olhos grandes e aprofundados,
Premeditadamente contundentes,
O sorriso aberto, generoso,
O que mais dizer ?
Acabo ficando perplexo,
Desconsertado, desconexo
E de repente me ponho em silêncio
A perceber seus contornos,
A imaginar o quanto os seus seios
Poderiam nutrir meus anseios
E o quanto o seu colo
Poderiam me aconchegar.
E a imaginação voa depressa,
A explorar outras partes,
Outras fontes, outras pontes,
Recantos cálidos, secretos,
O cheiro que eu imagino atrevido,
O brilho da sua pele suada,
Principalmente nas coxas,
Dispostas de forma travessas
A provocar desejos de esfregas,
A permitir a abordagem transversa,
Quem sabe você se entrega ?
Quem sabe você não nega ?
Quem sabe seja bem mais que um poema ?
Mais ?
Não poderia dizer !
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