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Um amontoado de palavras
A denunciar segredos,
Sussurrados entre os dentes,
Coisas que permaneceram latentes
E que costumam brotar eloqüentes
Incontroláveis e urgentes
E se transformam em poemas
Rasgados e contundentes,
Feito sentimento parido,
Extraído a força, espremido,
A revelar constrangimentos,
Frustrações e ressentimentos.
Um amontoado de versos,
Verdadeiros e confessos,
Expostos assim tipo um grito
Ardido, irracional e aflito,
Mostrando-me as entranhas,
Profanando-me por inteiro.
O desnudar de um poeta
Transmuta em beleza o que é feio.
Pois feia é a dor da ausência,
Do abandono e da amargura.
Pois feia e a saudade incontida
Que pode levar à loucura.
Pois feia é a solidão insistente
Que traz a insônia inclemente.
Pois feia é a inquietude que eu tenho
E que transformou-me num poeta
Que por custa de muita dor
Hoje escreve assim tão pungente.
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