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POEMA (NALDOVELHO)
Palavras poucas,
Soltas, contundentes.
Versos lapidados,
Preciosos, abrangentes.
A chama que atiça
Remove as cinzas
E incendeia a casa.
Se eu abro a janela,
O vento me invade
E a pele me arde.
Quem sabe a tarde
Me traga um poema,
palavras amenas ?
Quem sabe uma dança,
Uma música suave,
Ritual do prazer ?
Frases lacônicas,
Sussurradas, sagradas,
Ao revelar seus segredos,
Abrando o meu medo
E cicatrizo as feridas.
Nada é tão urgente...
Nada mais é latente
E o poema é nascente,
Olho d’água, água ardente
E brota assim abusado
Vem matar nossa sede
Vem nos dar o que comer !
VALSANDO (LÍRIA PORTO)
Coração derramado
alegria tamanha
um doce carinho
palavras encanto
nos olhos a lágrima
alegria suprema
a poesia encantada
buquet de palavras
um laço de nuvem
um brilho de estrela
um forte arrepio...
Dançamos a valsa
ensaiamos o beijo
enquanto o poema
escorre-me ao peito
de tanta ternura
beleza que é pura
de todo jeito...
CANTIGA (LÍRIA PORTO)
Eu quisera saber
além da cantiga
entoar-te o canto
mavioso encanto
que em suas asas
leva-nos ao infinito
transforma-nos em luz...
Quem me dera
um dia
dançar a tua dança
tornar-me a musa
da tua poesia
e no passo que é meu
em laço de fita
amarrar-te o verso...
Ah... se eu pudesse
ouvir-te o canto
rouxinol trovador
solfejar só contigo
a tua sinfonia
flutuar em dueto
sol e lua
e incendiar o céu...
Eu bem queria
poeta cantor
ser a tua lira...
CHORÃO (NALDOVELHO)
Quero violões seresteiros
E uma flauta transversa,
Bandolins de primeira
Num chorão que se apressa,
Madrugada nos chama
Numa esquina deserta,
Uma cantiga, um poema,
Uma dança profana,
Ritual do prazer.
Quero um sorriso nos lábios
E um olhar de soslaio,
Uma trilha, um atalho,
Sentir o orvalho
A escorrer do seu corpo,
Quanto cheiro e achego...
Quero ter muitos planos
Sou alma vadia, não nego !
Mas quem sabe eu me apego,
Me apaixono e pronto !
Precioso é o acorde
Em tom menor,
Vê se pode !
Pois o amor quando explode,
Melodia se assanha
E deixa marcas profundas
Lá dentro de nós.
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