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MAQUIAGEM
Elane Tomich
Se te leio em entrelinhas
A razão se desalinha
Desarrumando a paixão.
Enleio-me em teias de linhos
Num enredado complicado.
Então, por credulidade
Os dizeres das minhas mãos
Versejam o que o coração
Quer dizer, mas diz que não!
Medo esgarçando o segredo
Abre a caixa da verdade
Mas não sei se é saudade
Desprotegida do medo
Desapropria o sujeito
Na suprema inverdade
De uma frase de efeito...
Recorro à obviedade
Da opção de inverter
O sujeito em objeto
Onde o verbo querer
Esconde-se como inseto
Em suprema overdose,
Juntando-se às cores do afeto,
Num medo em metamorfose.
Protege-me adverso ambiente
Do ataque de ti, ausente.
Em tons de covarde ironia,
Maquio-me no camarim
Visto a máscara da utopia
De ti, escondo-me a mim,
Nas lidas do dia a dia.
Ao longe a alerta de um sino,
Ou sonho ao som de um violino?
O POETA PRECISA AMAR
NALDOVELHO
É nas entrelinhas
Que a razão se desalinha, se desarruma
E por definição definha.
É nas entrelinhas
Que a paixão nos embaraça em teias,
E insanamente se atrita.
E hajam enredos complicados,
E hajam versos apaixonados,
E coração coitado,
Fica aflito e apertado,
Mal cabendo do lado esquerdo do peito...
E não adianta dizer não !
Você fica tal qual folha ao vento,
Ao sabor do inesperado
Perde o senso e o equilíbrio,
Fica sem opção.
É nas entrelinhas
Que brota a erva daninha,
Sinal de alerta que ensina
Que já não existe o abrigo,
E que por conseqüência
Você está por sua própria conta e risco,
A caminhar por uma estrada acidentada,
E não adianta reclamar,
Tomado este rumo,
Não se pode mais escapar.
Por mais que você se esconda,
O danado do sentimento
Fica lá dentro entranhado,
Como o som de um violino cigano,
Com o um cheiro visceral e profano,
E não se sabe nunca até quando...
Conclusão: melhor deixar rolar.
Arde, sangra e incomoda,
Mas é o alimento preciso,
O poeta precisa amar.
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