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Palavras estranhas, descontentes.
Frases reticentes,
Versos que se calam
Assim tão de repente.
Parece que tudo conspira
Para tirar do poeta
O poder de dizer o que se sente.
Até as imagens que antes ferviam,
Teimam em se mostrar displicentes
E a magia de outrora
Já não se faz mais presente,
Pois o sentimento de quem chora
Hoje é tido apenas como inconveniente,
Algo que deve ficar latente,
Ou então se desconsiderar.
Triste é saber que o trigo,
Nunca passou de uma semente,
Triste é saber que o abrigo,
Já não acolhe o demente,
O palhaço, o poeta e o mendigo,
Triste é saber que a cantiga
Morreu esmagada entre os dentes
E que o meu umbigo
Continua no mesmo lugar.
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