Não há como evitar !
Por mais que eu pense estar anestesiado,
Endurecido e preparado,
Sempre acontece alguma coisa
Que acaba por trazer aperto no peito,
Pulso batendo descompassado,
Lágrimas escorregadias,
Destas que sem mais nem menos
Insistem em chorar,
Teimosas que são
Em mostrar que o velho poeta
Ainda sofre de dor de amor.
É só escutar o seu nome,
Ou saber de um novo poema,
Divulgado assim disfarçado...
Não tem jeito !
Obstinadamente fico a tentar
Me encontrar em seus versos,
Achando em cada rima um sinal
De que o seu coração também arde
E bate assim tão descompassadamente
Pelos mesmo motivos que eu teimo
Em esconder de mim mesmo,
Só que não consigo,
Não há como evitar !
Outro dia um famoso poeta
Ousou dizer que o lirismo,
O romantismo e seus afins,
Estariam ultrapassados,
Que hoje seriam outras as vertentes,
Melhor nem comentar !
Será que esse poeta
Acabou por se quedar impotente?
Será que a sua poesia
Hoje navega descrente?
Difícil de aceitar !
Só sei que a dor
Que o meu coração hoje sente
É dor de poesia urgente,
Destrambelhada por sentimentos latentes,
Que hoje rebelados brotam em nascentes
Que eu não consigo represar.
E tome romantismos doídos
Por tudo o que ficou reprimido,
Por lirismos tão assim assumidos,
Pois sou poeta dos meus desentranhamentos,
Não há como evitar !
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