NaldoVelho - Não há como evitar
 
 
 
NÃO HÁ COMO EVITAR

 

 


Não há como evitar !

Por mais que eu pense estar anestesiado,

Endurecido e preparado,

Sempre acontece alguma coisa

Que acaba por trazer aperto no peito,

Pulso batendo descompassado,

Lágrimas escorregadias,

Destas que sem mais nem menos

Insistem em chorar,

Teimosas que são

Em mostrar que o velho poeta

Ainda sofre de dor de amor.

É só escutar o seu nome,

Ou saber de um novo poema,

Divulgado assim disfarçado...

Não tem jeito !

Obstinadamente fico a tentar

Me encontrar em seus versos,

Achando em cada rima um sinal

De que o seu coração também arde

E bate assim tão descompassadamente

Pelos mesmo motivos que eu teimo

Em esconder de mim mesmo,

Só que não consigo,

Não há como evitar !

Outro dia um famoso poeta

Ousou dizer que o lirismo,

O romantismo e seus afins,

Estariam ultrapassados,

Que hoje seriam outras as vertentes,

Melhor nem comentar !

Será que esse poeta

Acabou por se quedar impotente?

Será que a sua poesia

Hoje navega descrente?

Difícil de aceitar !

Só sei que a dor

Que o meu coração hoje sente

É dor de poesia urgente,

Destrambelhada por sentimentos latentes,

Que hoje rebelados brotam em nascentes

Que eu não consigo represar.

E tome romantismos doídos

Por tudo o que ficou reprimido,

Por lirismos tão assim assumidos,

Pois sou poeta dos meus desentranhamentos,

Não há como evitar ! 

 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
O oposto do caos -  sem  título
de
Antonio Jorge Nunes
 
 www.antonionunes.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 
 

 

 
by neusa - setembro/2003
 
 
 
 
 
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