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Revelar a face de um dia,
Perceber que o sol ao nascer anuncia,
Pássaros irrequietos!
Vento brando e morno,
Quase uma aragem,
Rua ainda deserta,
Vestígios de orvalho,
A lua ainda indecisa
Quer permanecer,
Mas precisa
Ir pra bem longe de nós.
Pouco a pouco alguns carros,
Quebram o silêncio da hora,
Passos apressados lá fora,
Um café bem quente é urgente!
O jornal traz notícias de ontem,
De um conflito cada vez mais presente,
Da dor travestida e perversa,
Tem um homem batendo à porta,
Traz uma carta postada nos longes,
Controversas razões não convencem,
Mais notícias dão conta que o ódio
Cada vez se faz mais ardente,
O cheiro de pólvora incomoda,
A sensação de impotência que aflora,
Tem um louco bradando, é guerra!
O som dos tambores que avisam
Ecoam, ensurdecem, martirizam.
Um outro louco fanatiza e escraviza
E avisa que a resposta será dura e precisa,
E espalhar-se-á por todos os cantos da terra.
Melhor fumar um cigarro,
Melhor tomar um conhaque,
Melhor escrever um epílogo,
Melhor dizendo, um epitáfio,
Certamente um lamento inútil.
Ligo a televisão e vejo um filme estranho,
Soldados a invadir uma aldeia,
Massacram infiéis por engano,
Cruzados, violentos e profanos,
Mudo de canal e um outro filme me agride:
Manhã cedo, uma aldeia de índios,
A cavalaria, o destroçar, são insanos!
Já faz tempo a história é a mesma
De que adianta sonhar tantos planos?
Lá fora o dia que segue...
Aqui dentro uma angústia tamanha,
Pois um usurpador se declarou o novo dono
Do jardim que Deus nos ofertou.
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