NaldoVelho - A face de um dia
 
 
 
A FACE DE UM DIA

 

 

Revelar a face de um dia,

Perceber que o sol ao nascer anuncia,

Pássaros irrequietos!

Vento brando e morno,

Quase uma aragem,

Rua ainda deserta,

Vestígios de orvalho,

A lua ainda indecisa

Quer permanecer,

Mas precisa

Ir pra bem longe de nós.

Pouco a pouco alguns carros,

Quebram o silêncio da hora,

Passos apressados lá fora,

Um café bem quente é urgente!

O jornal traz notícias de ontem,

De um conflito cada vez mais presente,

Da dor travestida e perversa,

Tem um homem batendo à porta,

Traz uma carta postada nos longes,

Controversas razões não convencem,

Mais notícias dão conta que o ódio

Cada vez se faz mais ardente,

O cheiro de pólvora incomoda,

A sensação de impotência que aflora,

Tem um louco bradando, é guerra!

O som dos tambores que avisam

Ecoam, ensurdecem, martirizam.

Um outro louco fanatiza e escraviza

E avisa que a resposta será dura e precisa,

E espalhar-se-á por todos os cantos da terra.

Melhor fumar um cigarro,

Melhor tomar um conhaque,

Melhor escrever um epílogo,

Melhor dizendo, um epitáfio,

Certamente um lamento inútil.

Ligo a televisão e vejo um filme estranho,

Soldados a invadir uma aldeia,

Massacram infiéis por engano,

Cruzados, violentos e profanos,

Mudo de canal e um outro filme me agride:

Manhã cedo, uma aldeia de índios,

A cavalaria, o destroçar, são insanos!

Já faz tempo a história é a mesma

De que adianta sonhar tantos planos?

Lá fora o dia que segue...

Aqui dentro uma angústia tamanha,

Pois um usurpador se declarou o novo dono

Do jardim que Deus nos ofertou.


 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Na direção do passado 
de
Jr.Garcia
 
http://jrgarciaphoto.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
Livro de visitas
 
 
 
 
página inicial
 
 
 
 
índice