NaldoVelho - Ferida de morte
 
 
 
                    FERIDA DE MORTE

 

 

Ferida de morte

A palavra se contorce,

Se arrasta e agoniza

E é num último alento

Que desanimada nos avisa:

Faltam ainda escassos poemas,

Alguns sentimentos confessos,

A serem materializados em versos,

Epitáfios, doloridos, confusos,

Que eu nem sei se valerão a pena.

Melhor nem serem lidos !

E se lidos...

Melhor não leva-los a sério,

Pois as letras se dispõem raivosas,

Embaralhadamente teimosas

E se negam a nos mostrar solidárias,

Os seus mais preciosos segredos.

E por tudo que acredito sagrado

Eu me recuso a desentranhar-lhe os meus medos.

Melhor seria então o silêncio,

Pois sem nexo se fez o enredo

Que por piedade precisa ser desfeito.

O que será do poeta

Que não encontrou a chave da porta?

O que será do poeta

Que na vida não mais se importa

Se o amor permanece ou não nas sombras?

O que será do poeta

Que não consegue abrir as janelas ?

Sei não !

Epitáfio nenhum tem sentido

Com as letras desta forma indispostas.

Por que a palavra foi morta ?

Por que tamanho castigo ?


 
 
                        Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Bêja 2 para o maltês 
de
Luiz Carlos Nardy
 
http://www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
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