Tira o dedo da ferida!
Tira as lascas de unha
Que você deixou
Em minhas costas cravadas
E que toda a vez que você chama
Doem e inflamam.
Tira os espinhos da roseira,
Que vieram com a flor primeira,
Eles arranham e sangram!
Tira o esqueleto da dispensa,
O amuleto do pescoço
E aquele retrato amarelado,
Da cabeceira da cama.
Tira as carpideiras da sala,
De chorar já tão cansadas,
Por conta de tantas partidas.
Aproveita e apaga o meu nome
Da pedra fria e empoeirada
Por tanta espera, desiludida.
Tira o vestido preto
E o solidéu circunspectro
Que você costuma em usar,
Tira?
Tira as farpas que por tanto tempo,
Sem nenhum constrangimento,
Você lançou sobre mim.
Não existe o amor derradeiro,
Sempre é o tempo que temos
Para sonhar, para ousar e para amar.
Tira o trinco da janela,
Chama o sol pra bem perto,
Arruma de vez sua cama
E sorria que a vida se assanha
E traz descobertas tamanhas,
Você nem vai acreditar !
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