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O passar lento das horas,
A vida que se arrasta lá fora,
O sangue que percorre gosmento,
Por veias e artérias, aqui dentro...
O amanhecer que não demora
E me avisa que noite já vai embora,
E que apesar dos meus sentimentos,
Ainda assim foi,
Por sua própria conta e risco
E sem o necessário consentimento.
É a madrugada que enfim desperta
E um certo sentimento arde e incomoda,
Misto de nostalgia e saudade,
Tipo manhã chuvosa de outono,
Longe de você!
Mais uma noite acordado,
Por conta da tal da insônia,
E ainda assim acredito no dia,
No sol que invade o meu quarto,
Manhã cedo de janelas abertas,
De cara amarrotada do sono
Que tardiamente resolveu se pronunciar.
Um gole de café bem quente,
Um cigarro prazerosamente tragado
E ainda assim odiado...
Preciso deixar de sentir saudades,
Preciso colocar a nostalgia de lado,
E me livrar de vez da insônia,
Preciso achar novos temas,
Preciso também procurá-los,
Preciso deixar de fumar,
Preciso deixar de lhe amar.
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