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Existem dois : o poeta e o homem.
Quem escreve é o poeta,
Sobre as dores que tanto consomem
Pois o homem é fadado ao feitiço,
Sofre pela distância,
Pelo abandono e chora...
Ao sabor das reminiscências,
Dos desencantos e da ausência
E vive então fragmentado,
Tem medo e é assustado,
Respira e transpira fragilidades
E ainda assim algemado aos seus códigos,
Oscilando entre o certo e o errado.
Um ser controverso
A caminhar só e em silêncio
E que se ampara ao poeta, ao bruxo, ao mago
Para exorcizar os seus demônios ,
Curar suas feridas, cicatrizar os seus cortes..
Ter um pouco de paz.
Ah!
Se não fosse o poeta,
Talvez o homem já tivesse partido
E isto sem que tivesse juntado os cacos!
Sem que tivesse conseguido compreender.
Existem dois : o homem e o poeta.
O poeta é um louco,
Um ser vadio, indecente,
Amante infiel e compulsivo,
Que vive de sonhos e de fantasias,
Que faz da palavra a sua magia,
O seu canto de sedução.
Ah! Se não fosse o homem
Quanta dor não existiria nos corações desavisados
Que ao poeta aprisionados
Se alimentam de tanta paixão.
Ah! Se não fosse o homem
De quantos tombos, acidentes, buracos,
Mergulhos profundos, cavernas e abismos,
Não teria sido o poeta resgatado,
Não seria hoje um ser revivido.
Um não vive sem o outro,
Um é a metade maior do outro.
E se um dia por Graça e Misericórdia
As duas metades se reunissem
Como um só ser e persona
Teríamos então alguém sem inquietude,
Não mais um poeta, tão pouco um homem
Apenas um ser de luz.
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