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Restam poucas janelas abertas
E a friagem da noite já não me incomoda tanto.
Restam poucas horas para que se desfaça o encanto
E o feitiço, já não é tão forte,
Quando a vontade de partir
Se faz cada vez mais presente.
Ainda restam alguns poucos poemas,
Já não é tão fácil achar um tema
E uma certa ardência no peito,
Impede que eu respire direito,
Impede que o coração se aventure
Em novos romances, paixões...
Melhor deixar quieta a emoção,
Pois ela sempre que brota,
Incomoda, traz a dor e o desentranhamento.
Já não tenho idade para estas coisas...
Também, reclamar eu não posso !
Muito amei e fui amado.
Se foram muitos os desencontros ?
Paciência !
Não existe espaço para o arrependimento,
Sempre que pude, eu ousei
E acreditem, valeu a pena !
A esta altura, o melhor é macerar as lembranças,
Cultuar a saudade e continuar a inventariar o
passado
Pois no presente a magia se mostra reticente
E para o futuro, tudo se revela incerto.
Quanto a nostalgia que insiste em responder, presente !
Acaba sempre em poesia,
Que apesar de poucas, serão sempre belas e pungentes.
Restam poucas janelas abertas
E isto não é um lamento !
É apenas a razão que impertinente
Não deixa a lágrima brotar.
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