NaldoVelho - Razão impertinente
 
 
 
RAZÃO IMPERTINENTE

 

 

Restam poucas janelas abertas

E a friagem da noite já não me incomoda tanto.

Restam poucas horas para que se desfaça o encanto

E o feitiço, já não é tão forte,

Quando a vontade de partir 

Se faz cada vez mais presente.

Ainda restam alguns poucos poemas,

Já não é tão fácil achar um tema

E uma certa ardência no peito,

Impede que eu respire direito,

Impede que o coração se aventure

Em novos romances, paixões...

Melhor deixar quieta a emoção,

Pois ela sempre que brota,

Incomoda, traz a dor e o desentranhamento.

Já não tenho idade para estas coisas...

Também, reclamar eu não posso !

Muito amei e fui amado.

Se foram muitos os desencontros ?

Paciência !

Não existe espaço para o arrependimento,

Sempre que pude, eu ousei

E acreditem, valeu a pena !

A esta altura, o melhor é macerar as lembranças,

Cultuar a saudade e continuar a inventariar o passado

Pois no presente a magia se mostra reticente

E para o futuro, tudo se revela incerto.

Quanto a nostalgia que insiste em responder, presente !

Acaba sempre em poesia,

Que apesar de poucas, serão sempre belas e pungentes.

Restam poucas janelas abertas

E isto não é um lamento !

É apenas a razão que impertinente

Não deixa a lágrima brotar.

 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Janela em Bossost...ao luar
de
Alexandre T
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
Livro de visitas
 
 
 
 
página inicial
 
 
 
 
índice