NaldoVelho - Versos insanos
 
 
 
                                          VERSOS INSANOS

 

 


Nuvens compactas, cinzentas, sombrias, 

Se apossam dos dias.

Tardes nubladas, chuvosas, tão frias, 

Se mostram vazias.

Ruas, calçadas e praças molhadas, 

Aprisionam a criança, atiçam lembranças.

Folhas caídas, outono, abandono, 

Se mostram nostálgicas, revelam enganos.

Notícias dão conta que a dor que se planta, 

Dá frutos ardidos, azedos, espantos.

O beijo negado, secura nos lábios, 

O carinho abortado, padece a poesia.

São teias, são dramas, são tramas, vazias.

A cheiro da terra molhada me chama 

Pra cama, pra lama, pro colo da dama.

Me chama, me clama, quer mais poesia, 

Que drama, não chora, me engana, que drama! 

O som do piano, solitário e profano, 

A orquestra parada assiste ao seu solo,

O violino abusado, desfaz os meus planos,

O rufar dos tambores me tira do sono.

Versos sem nexo, confusos, insanos.

Quem sabe um navio me leve pra longe ?

Quem sabe um desvio me trague de volta ?

Quem sabe a poesia revele os meus sonhos ?

Quem sabe os meus sonhos tragam o alvorecer ?

 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Messenger of faith
e
Water trail
de
Berenice Kauffmann Abud
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : elenir e neusa
 
 
 

 

 
by neusa - maio/ 2003
 
 
 
 
 
Livro de visitas
 
 
 
 
página inicial
 
 
 
 
índice