Acho que eu vi um gatinho !
Desfilando calmamente pelo telhado.
E um cachorro embaixo latindo !
Cachorros não sobem em telhados
E eu aqui em meu quarto rindo...
Acho que eu vi um soneto !
De versos insanos e perversos.
Brotavam das mãos de poeta.
Cantigas de amor são tão lindas,
Me deixam até afrontado.
Acho que eu vi a saudade !
Clandestinamente entranhada em meu peito.
Sussurrava segredos, carinhos.
Saudade é fruta amargosa,
Espinho que se colhe com a rosa.
Acho que o gatinho que eu vi,
Escorregou e despencou do telhado.
E o cachorro fugiu assustado
Por conta da barulheira
Do gato com a roseira enroscado.
Acho que o poema que eu fiz
Dá conta do amor que não me quis.
Acho que o poeta continua rindo
Do cachorro, do gato e dos meus versos,
Cada vez mais insanos e perversos.
|
|
|