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Lágrimas que denunciam,
E se contorcem dentro da gente,
Mostrando tristeza e amargura
Que lá existem descontentes.
Lágrimas doídas,
Ardidas e urgentes,
Sementes lançadas
Se choradas impunemente,
Acabam alquimizadas
E brotam em muitas vertentes.
Lágrimas que ousam,
Incontidos os versos,
Materializar a dor
Que corajosamente eu confesso
E a inquietude que ainda hoje
Teimosamente professo.
Lágrimas que as vezes
Se transvestem sonoras,
Delicados acordes,
Melodias que eu choro,
Cantigas, toadas,
Harmonias que eu vivo
A extrair das cordas
Que eu trago comigo.
Muitas delas espinhos,
Se contidas covardemente,
Cristalizadas feridas
Se por muito latentes.
Melhor então chorá-las,
Pois este é um direito
De quem na vida se dispõe
Ao caminho inclemente
E acredita que elas
Renovam aos olhos
A imagem que se tem
Da existência da gente.
Lágrimas suaves,
Destemidas, queridas,
Sugerem vivências
E são como um presente,
Delicadeza que a vida
Ofertou curativa
Aos filhos que crêem
Na sabedoria do Pai.
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