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Cortes, marcas, cicatrizes...
A lágrima oprimida no canto dos olhos,
Um sorriso amargo colado no rosto,
Janelas abertas, arejar o ambiente.
Quando você foi embora levou meu sossego,
O seu cheiro, os seus planos e os nossos muitos enganos,
O perfume hoje é outro, estranha essência.
O livro de poemas, publiquei finalmente !
Muitos versos são seus, foram como um presente,
Muitos versos são meus, trazem dor bem latente.
Ir pro piano, dedilhar um chorinho,
Um que seja ardido, de lembranças ferido.
Descortinar um caminho, já não sei se espero ?
A ferida não sangra, mas ainda dói quando eu toco,
Quando leio os seus versos e percebo a ausência,
E quando escuto sua voz ao telefone, distante...
Minhas mãos já não tremem, não visualizo o seu rosto,
Ainda resta a nostalgia, companheira insistente
E a insônia ainda ronda minhas noites vazias.
Continuo um romântico de cigarro entre os dedos,
Continuo inquieto, apesar dos desgastes.
É visceral, é genético, não consigo negar.
Cortes, marcas, cicatrizes...
Melhor deixar como está !
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