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Um olhar pela vidraça,
Visão embaçada...
Um mundo de sonhos,
Segunda-feira de outono,
Os carros que passam,
Tem muita fumaça,
Tem chuva miúda,
Neblina constante,
Cidade nublada,
Teu nome é abandono,
Teu nome é engano,
Só não posso confessar !
Num apartamento elegante,
Num bairro discreto,
O telefone que toca,
Ainda tenho muitos planos,
Outros sonhos pra sonhar.
Uma música no ar
Denuncia a saudade,
Denuncia a distância
Que a vida nos impôs.
Uma carta de despedida,
Uma lágrima encravada,
No canto do olho esquerdo
Vacila, escondida...
Chorar eu preciso,
Mentir pra mim mesmo,
Dizer não mais te amo !
Que foi só uma ilusão,
Melhor silenciar,
Escutar um bolero,
Dizer não mais te quero.
Escrever um poema,
Buscar outros temas,
Que sejam sem dramas,
Quem sabe eu me convenço,
Quem sabe eu te convenço
Que foi só uma miragem
E que eu fui uma bobagem,
Coisa assim sem importância
Que não deveria ter ressurgido
Pra te assombrar outra vez.
Um café bem quente,
Fumar, não fumo mais !
Assim que parar de chover,
Vou caminhar um pouco,
Quem sabe eu endireito
O que ficou assim torto,
Quem sabe eu consigo
Te esquecer de uma vez.
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