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Vidraça embaçada,
Janelas fechadas,
Chove lá fora,
Águas de março
Me inundam por dentro.
O rádio ligado
Me mostra que o tempo
Está árido e desértico
Lá no firmamento.
Cidade tão fria,
Ruas vazias,
Poemas urgentes
Atropelam o meu dia.
As letras destoam,
Palavras enjoam,
Se irritam a toa
E embora me doam,
São só sentimentos,
São versos cinzentos,
Espremidos, aflitos,
São constrangimentos,
Nasceram de mim.
Um clarim clama ao longe,
Tambores se inflamam,
O jornal traz notícias,
De uma guerra estúpida,
Virulenta e sem fim.
A noite que chega,
Já não chove lá fora
E uma lua vermelha
Se desespera e chora.
As janelas da casa
Já não estão mais fechadas,
O vento que sopra,
Sinaliza o outono,
Outono de cânticos,
Outono de guerra,
De sonhos, de versos,
Outono de mim.
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