NaldoVelho - Outono de mim
 
 
    OUTONO DE MIM

 

 


Vidraça embaçada,

Janelas fechadas,

Chove lá fora,

Águas de março

Me inundam por dentro.

O rádio ligado

Me mostra que o tempo

Está árido e desértico

Lá no firmamento.

Cidade tão fria,

Ruas vazias,

Poemas urgentes

Atropelam o meu dia.

As letras destoam,

Palavras enjoam,

Se irritam a toa

E embora me doam,

São só sentimentos,

São versos cinzentos,

Espremidos, aflitos,

São constrangimentos,

Nasceram de mim.

Um clarim clama ao longe,

Tambores se inflamam,

O jornal traz notícias,

De uma guerra estúpida,

Virulenta e sem fim.

A noite que chega,

Já não chove lá fora

E uma lua vermelha

Se desespera e chora.

As janelas da casa

Já não estão mais fechadas,

O vento que sopra,

Sinaliza o outono,

Outono de cânticos,

Outono de guerra,

De sonhos, de versos,

Outono de mim.

 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
fotos
 
Keel
e
Expressividade V
de
Berenice Kauffmann Abud
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : elenir e neusa
 
 
 

 

 
by neusa - maio/ 2003
 
 
 
 
 
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