NaldoVelho - Alguma coisa muito particular
 
 
 
                                                                ALGUMA COISA MUITO PARTICULAR

 

 


Era uma vez um quarto
E dentro dele uma música
Que brotava de todas as partes,
Das paredes, do teto, das janelas e da porta.
Era suave e dominava todo o ambiente,
Embalando a cama e amarrotando o lençol,
Jogando no chão as cobertas,
Girando e fazendo girar.
Era uma vez uma mulher que dançava cigana,
Que brotava como música de todas as partes,
Dos seus braços, dos seus olhos,
Do seu peito, de todo o seu ser.
Jorrava como água molhando o lençol,
Se espalhando pela cama,
Inundando todo o quarto,
Tomando conta do meu corpo
E me dando muito prazer.
E a música tocando cada vez mais forte,
E a mulher brotando cada vez mais suave
Refrescando todo o meu ser.
Era uma vez um relógio
Que invadido pelas águas parou,
Que sufocado pela música não mais andou,
Era uma vez um domingo
E eu cheirando a música,
Com a mulher nos ouvidos,
Com os olhos no relógio,
Inventaram outro!
Que fica marcando o tempo,
Mas que na hora certa se cala
Para as águas jorrarem de novo.
Era uma vez um momento,
Agora é um outro.
Era uma vez um ontem,
Agora é o hoje
E eu ainda estou girando com a mesma música,
Bebendo na mesma fonte
E esperando sempre encontrar
Alguma coisa muito particular.
 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Lights of the bay
de
Berenice Kauffmann Abud
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : elenir e neusa
 
 
 

 

 
by neusa - maio/ 2003
 
 
 
 
 
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