NaldoVelho - Versos perenes
 
 
 
VERSOS PERENES

 

 

Quando eu escuto no agitar incessante do vento

O assobio inclemente lá fora

E percebo as folhas caídas

Atingidas pelo outono que aflora,

Percebo também 

Na solidão do meu quarto

A espera enervante das horas

E complacentemente me aquieto e oro.

Peço a Deus que as minhas reminiscências 

Se mantenham vivas, ainda que latentes.

Peço a Deus que as minhas lágrimas

Sejam discretas, porem sempre presentes.

Peço a Deus que mantenha o poeta

Vivo, esperançoso e ardente.

Peço finalmente que toda a espera

Seja premiada por muitos poemas,

Testemunhos dos meus sentimentos.

Quando escuto em minha memória

O dedilhar no piano

A tanger cordas de enganos,

Percebo que as notas imploram

Por harmonias urgentes

Numa melodia que se mostre a vertente

De um amor que sobreviva ao tempo,

Por mais forte que seja o lamento,

Pois só assim terá valido a pena

Alquimizar em mim toda a dor.

E uma vez mais me aquieto e oro,

Pedindo a Deus que preserve 

Do lado esquerdo do meu peito,

Um coração capaz de se abrir

Sem pudores ou constrangimentos.

Peço também que os meus passos,

Não importa em que firmamento,

Trilhe sempre caminhos completos

E que eu consiga preservar os meus versos,

Que eu consiga honrar o meu dom.

 
 
Autor: NaldoVelho
 
 
foto
 
Frondosa
de
Luiz Carlos Nardy
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
Livro de visitas
 
 
 
 
página inicial
 
 
 
 
índice