Quando eu escuto no agitar incessante do vento
O assobio inclemente lá fora
E percebo as folhas caídas
Atingidas pelo outono que aflora,
Percebo também
Na solidão do meu quarto
A espera enervante das horas
E complacentemente me aquieto e oro.
Peço a Deus que as minhas reminiscências
Se mantenham vivas, ainda que latentes.
Peço a Deus que as minhas lágrimas
Sejam discretas, porem sempre presentes.
Peço a Deus que mantenha o poeta
Vivo, esperançoso e ardente.
Peço finalmente que toda a espera
Seja premiada por muitos poemas,
Testemunhos dos meus sentimentos.
Quando escuto em minha memória
O dedilhar no piano
A tanger cordas de enganos,
Percebo que as notas imploram
Por harmonias urgentes
Numa melodia que se mostre a vertente
De um amor que sobreviva ao tempo,
Por mais forte que seja o lamento,
Pois só assim terá valido a pena
Alquimizar em mim toda a dor.
E uma vez mais me aquieto e oro,
Pedindo a Deus que preserve
Do lado esquerdo do meu peito,
Um coração capaz de se abrir
Sem pudores ou constrangimentos.
Peço também que os meus passos,
Não importa em que firmamento,
Trilhe sempre caminhos completos
E que eu consiga preservar os meus versos,
Que eu consiga honrar o meu dom.
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