|
Imagens confusas, contorcidas, difusas,
Cores contundentes, alucinantes, deprimentes,
O cheiro de pólvora agride e incomoda,
Constrangedora é a dor que inunda a nossa mente.
Palavras distorcidas, descabidas, incoerentes,
Versos complexos, sombrios, perplexos,
Rimas sofridas e inconseqüentes.
Quem foi que disse que a dor do próximo
Não dói lá dentro da gente?
Histórias já vividas, lembranças, memórias,
O canto de guerra viola e fere os ouvidos,
É hora de trincar os dentes
E de cerrar nervosamente os punhos,
Já não cabem mais poemas
Que falem da dor que se sente
Pela mulher que se fez ausente.
Quem foi que disse que a dor do próximo
Não dói lá dentro da gente?
Dor de perda e de lamento,
Dor que vai nos trazer arrependimento,
Por tantas e infelizes escolhas,
Por tantas feridas abertas,
Por tantas portas trancadas,
Ou então, violentamente arrombadas
E pelo sangue que a terra hoje chora.
Quem foi que disse que a dor do próximo
Não dói lá dentro da gente?
Dor de lágrima incontida,
Dor de semente pisada
E violentamente extirpada
Dor de um coração que implora
A Deus pelos seus filhos,
Dor que desconhece a glória,
Dor de inóspitas horas.
Quem foi que disse que a dor do próximo
Não dói lá dentro da gente?
|
|