|
Minha poesia é fruto de sumo ardido,
Evidentemente consentido,
Cultivado nos desassossegos
Que moram em minhas entranhas.
Minha poesia é colhida em tardes vadias,
Nos desencontros da vida,
E é a forma mais estranha
Que eu conheço de exorcizar os meus ais.
Minha poesia é visceral e tamanha,
Que ao ser parida me arranha,
Revela segredos guardados
E restabelece no homem a paz.
Minha poesia é vinho tinto e rascante,
É do bagaço da uva, a aguardente,
É urgência, é inconstância, é demência,
Controvérsias que a vida nos traz.
Minha poesia é tatuagem doída e querida,
Cicatriz que eu trago na mente,
É o que me diferencia pela vida,
É a benção herdada do Pai.
Minha poesia é água que jorra da fonte
E incessante, embriaga e alicia,
E por paixão, envenena e vicia,
É a coragem de querer sempre mais.
Minha poesia é lágrima chorada pra dentro,
E a palavra certa é nostalgia !
É lua cheia em noite sedenta,
É saudade que nunca se vai.
|
|
|