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Qualquer dia destes
O dia vai amanhecer nublado,
Vai ter chuva miúda,
Chuvinha a toa !
Tipo garoa,
Nada que assuste
Ou que chegue a incomodar.
Tipo lágrima de quem chora
Fazendo um esforço danado
Pra não se denunciar.
Vai ter vento frio,
A penetrar pelas frestas,
Janela entreaberta,
Cheiro de terra molhada,
Alguma coisa estranha no ar.
Vai ser dia de outubro,
Primavera nublada,
Pois apesar dos enganos
Alguém conseguiu se encontrar.
Neste dia não saia,
E fique em casa sozinha,
Leia muitos poemas,
Inclusive os meus !
Aqueles que são seus.
Você sabe !
São tantos...
São belos e sofridos,
Provas que o amor sobrevive
E que ele é independe
De nossas escolhas, vontades
E que a eternidade de um instante
Paira até hoje no ar.
Ao entardecer vá até a janela
E se despeça do dia,
Pois neste momento certamente,
Muitas outras despedidas
Estarão vibrando no espaço.
E quando a noite estiver plena
Não estranhe o silêncio,
Se quiser, pode sussurrar o meu nome,
Se quiser, pode abrir de vez a janela,
Pra que o frio da noite
E a ausência sentida
Pela irremediável partida
Possam entrar sorrateiras
Qual essência de alfazema,
Pois será este o meu cheiro,
Minha marca latente, meu sinal,
Alguma coisa muito íntima e particular.
Quando for deitar...
Lá pelas tantas,
Não se assuste com o aconchego
Que o seu travesseiro e cobertas
Ao lhe acolher já cansada
Vão por carinho proporcionar.
É para que tenha o conforto
De um sono pesado e tranqüilo
Onde possa vivenciar em seus sonhos,
Todo o sentimento que eu fui capaz de te dar.
Este dia será com certeza
A prova de que tanto precisa,
Para se render de vez a verdade
Que o seu coração grita faz tempo
E que você teima em não acreditar.
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