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Dias sombrios, enlameados, grudentos,
A lâmina afiada nos expondo por dentro,
Estranha visão da carne, entranhas,
A vida mutilada por forças estranhas.
Um grito de dor nos arranha os ouvidos,
O medo estampado num rosto ferido,
Estranho concerto, sinfonia do caos.
O momento presente exprimido em meus braços,
Misturado ao sangue de um inocente mensageiro
Imagem contorcida de concreto e aço
E da criança que implora pelo seio da mãe.
Um anjo assiste a tragédia que existe
No fanático que colérico esbraveja e insiste
Em dizer que a chama depura e renova
E que ao mártir será reservado a companhia de Deus.
Quem foi que abriu os portões do inferno?
Quem foi que soltou o cão raivoso ?
E a lâmina afiada que prossegue nervosa
A expor as entranhas de um homem sincero
E de um inocente palhaço que padece em meus braços.
Quem se atreverá a escrever num poema
Um epitáfio nervoso, voraz, monstruoso
Que dê crédito ao homem pela libertação do tinhoso?
Quem sabe o que a Misericórdia de Deus possa nos reservar?
Longa é a estrada do ranger de dentes,
Centil por centil Ele nos há de cobrar.
Ainda bem que um outro anjo se martirizou no esforço
De tentar com os seus atos o caminho da Paz,
Ao ousar um poema que traduzisse o desgosto
Daqueles que ainda crêem no que o amor possa dar.
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Longa é a seara de um dos Homens do Caminho
Que no dia de hoje retornou ao seu Lar.
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