NaldoVelho - Dias sombrios
 
 
 
DIAS SOMBRIOS

 

 

Dias sombrios, enlameados, grudentos,

A lâmina afiada nos expondo por dentro,

Estranha visão da carne, entranhas,

A vida mutilada por forças estranhas.

Um grito de dor nos arranha os ouvidos,

O medo estampado num rosto ferido,

Estranho concerto, sinfonia do caos.

O momento presente exprimido em meus braços,

Misturado ao sangue de um inocente mensageiro

Imagem contorcida de concreto e aço

E da criança que implora pelo seio da mãe. 

Um anjo assiste a tragédia que existe

No fanático que colérico esbraveja e insiste

Em dizer que a chama depura e renova

E que ao mártir será reservado a companhia de Deus.

Quem foi que abriu os portões do inferno?

Quem foi que soltou o cão raivoso ?

E a lâmina afiada que prossegue nervosa

A expor as entranhas de um homem sincero

E de um inocente palhaço que padece em meus braços.

Quem se atreverá a escrever num poema 

Um epitáfio nervoso, voraz, monstruoso 

Que dê crédito ao homem pela libertação do tinhoso?

Quem sabe o que a Misericórdia de Deus possa nos reservar?

Longa é a estrada do ranger de dentes,

Centil por centil Ele nos há de cobrar.

Ainda bem que um outro anjo se martirizou no esforço

De tentar com os seus atos o caminho da Paz,

Ao ousar um poema que traduzisse o desgosto

Daqueles que ainda crêem no que o amor possa dar.

*

Longa é a seara de um dos Homens do Caminho

Que no dia de hoje retornou ao seu Lar.

*
 
Autor: NaldoVelho
 
Dedicado à Sergio Vieira de Mello 
 
 
foto montagem usando
 
Luz do Natal
de
Adilson Faltz
foto de Sergio Vieira de Mello
 
 www.thousandimages.com
 
trabalho de imagem : neusa
 
 
 

 

 
by neusa - setembro/2003
 
 
 
 
 
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