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Poderei amar-te num tempo não propício,
poderei amar-te em recolhimento, em silêncio, oferecendo
o meu corpo como holocausto.
Poderei amar-te de noite, com a candeia acesa,
com uma vela branca ao pé da janela e com
um lenço pousado nos joelhos.
Poderei amar-te todas as meias-noites, dia após dia,
anos após anos, silenciando-me e silenciando-te a ti
como uma treva.
Poderei amar-te como uma flama ardente, jamais perecível,
levantada pelos ventos e iluminada de soslaio pelo Sol.
Poderei amar-te e gritar incessantemente por mais amor,
oferecer-te uma rosa ao pequeno-almoço
e juntar todas as pétalas caídas no chão
e daí preparar uma refeição magnífica.
Poderá o meu amor ser avesso a prodígios, a milagres.
Cessam-me todas as palavras quando o dia se transforma em noite,
o prazer em Vida, o Sexo em algo mais transcendente.
Não sei do Sol fazer chuva, da aurora tempestade,
do ferro seco e duro Ouro, da Morte Vida nem de Deus o Diabo.
Poderei amar-te como o Sol ama a lua, como a aurora ama a
manhã, como o Céu ama a sua pomba.
Mas, prefiro amar-te apenas pelo sorriso que carregas sempre
que os nossos olhos se juntam, cada dia pela manhã.
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