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Preciso da veemência
Que as tuas palavras revelam,
Preciso da urgência
Que despudoradamente
Em teus versos,
A tua poesia insiste
Em inocular-me o veneno.
Preciso do teu verbo indecente,
Das tuas rimas viscerais e inclementes,
Preciso que me leves ao abismo,
Pois no bater descompassado
De meu coração afrontado,
Eu redescubro o encanto
Que existe dentro de mim.
Preciso buscar-te as entranhas,
Preciso revelar-te não mais estranha,
Para que eu possa me sentir
Caça abatida em teus dentes.
Preciso sentir tuas presas
Rasgando a minha carne quente
E tuas garras cravadas
Em meu peito, em meu ventre.
Preciso não mais carecer do silêncio
Das madrugadas insones.
Preciso adormecer em teus braços
E acordar como se tu fosses a hospedeira,
Preciso te sentir por inteira
Para que eu possa te fazer saciada
Ao sugar do meu corpo a seiva,
Preciso sentir o teu hálito,
E dos teus lábios
Sorver também a peçonha,
Preciso morrer de prazer,
Para depois renascer um poeta
Que saiba do amor o delírio
De amar até não mais poder.
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