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Palavras amordaçadas,
Sufocadas, soterradas,
Poemas insurretos,
Só sobrevivem nos sonhos.
A emoção que se esconde,
Sorrateira entre os dentes,
A lágrima indigente,
Represada, latente.
Não posso confessar que te amo !
Não devo declarar o quanto eu te quero !
Não quero mais a dor de um quem sabe ?
Pois o meu sangue hoje se arrasta
Por vias estreitas, congestionadas,
Pelos capilares já nem passam !
Por força de tantos atritos,
Conflitos, detritos...
Se insistir eu enfarto !
Melhor colar em meus lábios um sorriso,
Um que seja bastante convincente,
Mas não a ponto de ser contundente,
Senão pode soar falso
E servir de alerta aos descrentes,
Que vivem a buscar um sinal, uma fraqueza...
Que possa me denunciar.
Deixa que permaneçam desatentos,
Não posso demonstrar meu desalento,
Não posso mais dar asas a incerteza,
Ainda que a tua imagem assombre
Os meus mais íntimos desejos,
Ainda que na cabeceira de minha cama,
Permaneça o teu retrato.
Ainda sou um romântico,
Só que não mais um confesso,
Isto eu ainda não consigo evitar,
Mas este é um segredo de estado
Que a ninguém é permitido revelar.
Enquanto isto,
Qualquer lágrima será vadia,
Indigente e inconveniente,
De preferência chorada no chuveiro
Para que ninguém possa notar.
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