Novos poemas - Intruso
 
 
 
INTRUSO

 

 

Deixei-te, incauta, invadir meu território 
Fingi não perceber que 
penetravas minhas verdades 
Desconfiei, quando revelaste minhas mentiras 
Desesperei, 
quando peregrinaste em meu coração aberto. 
Ah, infame intruso de pegadas profundas 
Deixando marcas sutis em teu caminho... 
Livra-me de tuas correntes, 
Que a clausura desse amor me queima! 
Serve-te de minha alma pagã 
E entalha nela teus dogmas, 
Fazendo de mim tua mais fiel devota. 
Flagela essa pele tenra com teus dedos hereges 
E despe-me da vergonha e da sensatez, 
Para desfrutar da luxúria e da entrega 
Do corpo abandonado a teus critérios. 
Não, não te aproximes 
Sai, expulso de meu ventre 
Que não te quero assim 
Não te vejo meu 
Não te sinto aqui 
Então não me terás. 
Ah, cruel sangue corrosivo, 
Que não me deixa bani-lo de mim! 
Minhas forças esvaem-se, inúteis, 
Contra teu sorriso guerreiro. 
Minhas armas não conseguem perfurar 
As trincheiras de teu olhar sincero. 
Meus soldados são derrotados 
antes mesmo de marcharem 
Por teus beijos que açoitam feito chibata. 
Ah, monstruoso cavalheiro, 
De que vis paragens vieste roubar minha paz? 
De que negros esconderijos 
surgiste de emboscada 
E prendeste, indefeso, meu coração na armadilha do teu? 
Vem de uma vez, toma, usurpa, governa 
Que já não suporto mais tua ausência! 
Estou vencida e, como tal, 
Devo servir meu amo 
A quem entrego, obediente, 
Os punhos prontos para teus grilhões. 
Acorrenta-me com teu amor, 
Que tua escrava aguarda teus desejos 
Insaciável, incansável, indefesa, 
Toda tua. 
 
Autora: Lílian Maial
 
 
imagens : neusa

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
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