Novos poemas - Ladrão virtual de coração
 
 
 
LADRÃO VIRTUAL DE CORAÇÃO

 

 
Permita, meu senhor, que me apresente 
Sou o amante virtual da sua esposa 
E se assim à sua caixa venho 
Postar essa mensagem, não se espante 
Que sei que, se você a teve antes, 
Sou eu que agora habito a sua mente 
Na hora em que ela vive pela rede 
E você vê TV, indiferente. 

Mas calma! Não se irrite desse jeito, 
Que o respeito sempre é bom pros dentes, 
Nem pense em me mandar um bomb-mail 
Ou encerrar no provedor a conta, 
Que eu desse iceberg sou só a ponta 
De tudo o que ela sonha e não tem feito 
Na hora em que ela brinca pela rede 
E você ronca alto, no seu leito. 

Mas não estou aqui para humilhá-lo 
Nem criticar você de forma alguma, 
Desejo só pedir, parceiro caro, 
Que saia sempre um pouco mais de casa 
E leve os filhos sob a sua asa 
E não fique a jogar campo minado 
Na hora em que ela quer entrar na rede 
E eu espero ansioso do outro lado. 

E não me julgue assim um salafrário, 
No fim sou eu quem te inveja, amigo, 
Na soma dos esforços e dos ganhos 
Perceba o quanto o caso é lucrativo: 
Se eu mantenho dela o fogo vivo, 
Você depois recebe o seu salário 
Na hora em que ela mata a sua sede 
E eu me recolho ao leito, solitário. 

 
Autor: Deodato Menezes
 
 
imagem : neusa

 

 
by neusa - fevereiro/ 2003
 
 
 
 
 
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