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Pra que deixar nosso amor,
no respiradouro artificial?
Esse aparelho simula vida
portanto ,mantém o amor vivo e inquieto.
Desligue o aparelho.
Nosso amor... já morreu!
Você o matou, cada dia um pouquinho:
um atraso aqui, outro ali,
uma palavra mal dita, muitas mentiras.
Você brincou com um sentimento tão bonito
usou tantas máscaras, até aquelas duplas, sabe?
Máscaras de duas cores.
Fez papel de coringa
Sempre que eu queria tocá-lo, acarinhá-lo,
você aceitava e depois, em piruetas, fugia
dos momentos de alegria.
Fui cansando, "pirando", mas amando
Sempre ,muito, determinada,
até que percebi: até quando?
Resolvi sair do teatro
Cansei de ser animal amestrado
domado por você, manipulado,
Fui jogada pro lado
Aplaudida ,mas vilipendiada,
Fiquei tão confusa
fui parar no hospital.
Lá me colocaram na respiração artificial
deram antibióticos pra matar esse mal,
injeções de gardenal,
para curar-me dessa loucura
quem sabe, assim,eu me desligasse de você.
E hoje estou me curando...
o amor...? Esse ? morreu!
Você começou a matá-lo,
eu terminei.
Mas como doeu!
Como dói ainda,
nunca finda!!!
A saudade me maltrata
porque foi amor de verdade,
de profunda liberdade.
Só não teve um lindo final
porque até hoje, eu não sei
quem eu amei afinal?
Que espírito foi esse, imortal
Que mexeu, remexeu, tocou nas feridas do tempo
mas que da minha vida é o sol e o sal?
Que espírito foi esse que aqueceu?
Temperou meu viver?
Ofereceu sabor e cor?
Ninguém sabe...mas havia até ritual!
E altar !
E nossos corpos eram divinos
e profanos.
E nossas bocas sedentas
viviam em comunhão
E havia tanta intenção!
De repente, silenciamos!
O show acabou, tudo voltou ao normal.
Normal....quer algo pior do que o normal?
Normal é céu, é calma, é paz.
Eu quero o inferno, o gozo, a aflição
Só nessa ilusão, encontro o cerne da questão,
do ser, do existencial.
E meu coração sangra, e tudo em mim lateja
e deseja e vibra e só assim sei que estou vivo
mais nada!
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