Novos poemas - Portão do tempo
 
 
 
                        PORTÃO DO TEMPO

 

 

Ficava no portão todos os dias
ali em pé, parado por longo tempo
vendo o parco movimento;
vez ou outra passava alguém,
a pé ou de bicicleta, é claro,
porque carro lá, naquela época,
era fato raro.

Na verdade, o que eu fazia 
debruçado naquele portão
era sonhar, pensar, planejar
e imaginar o futuro,
a minha esposa, quem seria!?
A minha casa, como seria!?
Filhos, quantos eu teria!?
E a vida!?

Tudo seria perfeito,
pois tudo assim o era
na minha cabeça jovem,
no meu olhar vivo e sadio,
na maneira pura de ver o mundo,
na esperança que me invadia
e me enchia o peito desde criança.

E o futuro chegou,
talvez rápido demais,
não me deu o tempo necessário
de concluir meus planos,
para que não houvessem enganos.

O futuro chegou rapidamente
com agito e muito movimento,
apressado atropelou meus planos,
não ligou para os detalhes
cuidadosamente por mim definidos,
velozmente foi passando
tudo decidindo e executando,
sem esperar a minha opinião.

O futuro passou, quase todo,
a maior parte dele já virou passado;
aquele portão já não existe,
o tempo o levou.
Não é mais possível 
nele debruçar e sonhar. 
 
Autor: RôCar
260902
 
 
imagem : Thousandimages
 
Foto: Zara Veloso,(com autorização), à quem agradeço a colaboração;
 autora das fotos do livro Momentaneamente,
editado em Portugal.
 
trabalho de imagem : neusa
 
 

 

 
by neusa - março/ 2003
 
 
 
 
 
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