Poesias - Amargo
 
 
 
AMARGO

 

 
 
Fico em silêncio
Remexendo em meus guardados,
Deslizo em minhas memórias,
Revejo as minhas histórias,
Luz do quarto apagada,
Um certo perfume toma conta do ambiente.
Olho pela janela,
Lá fora chove,
Chuva fina e impertinente,
Aqui dentro a lágrima,
Teimosa e  insistente.
Faz tempo mandei a saudade ir embora,
Já não bebo Martinis
E o que ficou foi o vazio,
Vazio das tardes sonolentas,
Rádio e televisão desligados,
Um livro chato, fechado sobre a mesa,
Um livro de poemas,
O título, Da Janela do Meu Quarto,
O autor ?
Já não o reconheço !
Provavelmente um romântico,
Um destes que o vazio destes dias calou.
Acendo um cigarro
E o que eu trago é amargo,
Faz tempo não tenho segredos,
Melhor pintar um novo quadro,
Mais uma paisagem deserta,
Gélida e monocromática.
Violão nem pensar !
Os acordes teimam em me contrariar.
Daqui a pouco anoitece,
Vou para a janela do meu quarto,
Já não chove !
Melhor parar de chorar.
Da casa vizinha,
Janela do lado,
O som de um piano
Incomoda e toma conta do ambiente,
A mesma música de sempre,
'EU SEI QUE VOU TE AMAR,
POR TODA A MINHA VIDA EU VOU TE AMAR'.
Temo que esta música nunca mais vai parar de tocar !
 
  
 
NaldoVelho
 
 
Neupoesias agradece a você por comemorar seu primeiro aniversário.
 
 
 
 
 
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by neusa - agosto/2002
 
 
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