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Fico
em silêncio
Remexendo
em meus guardados,
Deslizo
em minhas memórias,
Revejo
as minhas histórias,
Luz
do quarto apagada,
Um
certo perfume toma conta do ambiente.
Olho
pela janela,
Lá
fora chove,
Chuva
fina e impertinente,
Aqui
dentro a lágrima,
Teimosa
e insistente.
Faz
tempo mandei a saudade ir embora,
Já
não bebo Martinis
E
o que ficou foi o vazio,
Vazio
das tardes sonolentas,
Rádio
e televisão desligados,
Um
livro chato, fechado sobre a mesa,
Um
livro de poemas,
O
título, Da Janela do Meu Quarto,
O
autor ?
Já
não o reconheço !
Provavelmente
um romântico,
Um
destes que o vazio destes dias calou.
Acendo
um cigarro
E
o que eu trago é amargo,
Faz
tempo não tenho segredos,
Melhor
pintar um novo quadro,
Mais
uma paisagem deserta,
Gélida
e monocromática.
Violão
nem pensar !
Os
acordes teimam em me contrariar.
Daqui
a pouco anoitece,
Vou
para a janela do meu quarto,
Já
não chove !
Melhor
parar de chorar.
Da
casa vizinha,
Janela
do lado,
O
som de um piano
Incomoda
e toma conta do ambiente,
A
mesma música de sempre,
'EU
SEI QUE VOU TE AMAR,
POR
TODA A MINHA VIDA EU VOU TE AMAR'.
Temo
que esta música nunca mais vai parar de tocar
!
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